O pastejo rotacionado é uma prática essencial para quem busca maximizar o potencial produtivo das pastagens e manter a sustentabilidade do sistema solo–planta–animal.
Ao permitir uma utilização mais eficiente da forragem, garantindo períodos adequados de descanso e rebrota, esse método contribui para pastagens mais nutritivas, solo mais conservado e maior ganho por área ao longo do ano. Além disso, reduz perdas por superpastejo ou subpastejo e melhora a distribuição de nutrientes no solo, favorecendo um ambiente mais equilibrado e produtivo. Saiba mais a seguir!
O que é o pastejo rotacionado?
O sistema de pastejo rotacionado é aquele em que a área de pasto da propriedade rural é subdividida em piquetes, sendo estes pastejados pelos animais de forma cíclica.
O objetivo desta prática de manejo é maximizar o sistema solo-planta-animal através do fornecimento de pastagem de qualidade ao longo do ano, com um solo bem conservado, produtivo e, consequentemente, com um maior ganho de @ por hectare.
Quais as vantagens do pastejo rotacionado?
Confira a seguir as principais vantagens do pastejo rotacionado:
- É possível obter uma intensificação da utilização da pastagem com o aumento da taxa de lotação da área (maior ganho por área);
- As condições fisiológicas da planta são atendidas, permitindo o seu descanso e rebrota, sendo mais nutritivas e resistentes a períodos de estiagem;
- Animais são manejados com base em períodos de ocupação e períodos de descanso da pastagem;
- Menor perda de forragem: evita-se o sub pastejo ou super pastejo;
- Melhores condições físicas e biológicas do solo com uma melhor distribuição de fezes e urina dos animais;
- Maior controle de plantas invasoras;
- Com um bom manejo dos piquetes, evitam-se as práticas de renovação e recuperação da pastagem (práticas onerosas).
Quais as diferenças entre o pastejo contínuo e o pastejo rotacionado?
No pastejo contínuo, os animais permanecem em uma mesma área de pastagem de forma ininterrupta, sem que ocorra uma mudança para outro piquete. Neste caso, ocorre uma desfolha contínua do dossel, sendo necessário que seja muito bem controlada a taxa de lotação da área para que a oferta de forragem esteja adequada à quantidade de animais.
- Em casos da taxa de lotação ser maior do que a capacidade de suporte do pasto, ocorrerá o super pastejo da área;
- Já em casos onde a taxa de lotação é menor que a capacidade de suporte da pastagem, casos de sub pastejo acontecerão (Figura 2)

Figura 2 – Desempenho animal em função da capacidade de suporte da pastagem (Adaptado de Mott, 1960).
Em situações onde a fertilidade do solo é baixa, o resultado do pastejo contínuo como um todo é uma desvantagem em relação ao rotacionado: ocorre menor produção de matéria seca, que leva à diminuição da taxa de lotação com consequente menor produtividade de @/hectare.
Outra diferença está na infraestrutura e mão de obra:
- No sistema rotacionado, é necessário maior investimento em cercas, bebedouros, cochos e mão de obra tecnificada;
- Já o pastejo contínuo exige menos investimento e é menos oneroso.
Em situações onde a fertilidade do solo é baixa, o resultado do pastejo contínuo como um todo é uma desvantagem em relação ao pastejo rotacionado: menor produção de matéria seca, que leva a uma diminuição da taxa de lotação com consequente menor produtividade de @/hectare.
Ganho médio diário (GMD)
Um ponto importante de se ressaltar é sobre o ganho médio diário (GMD):
No pastejo rotacionado, ele tende a ser menor quando comparado ao contínuo (quando bem manejado). Isso ocorre porque, no rotacionado, a competição por alimentos é maior, reduzindo a seleção do pasto.
Porém, quando se adicionam mais animais na mesma área (característico do rotacionado), o ganho por área é maior, tornando o sistema viável.
Como saber quando os animais entram e saem dos piquetes?
A taxa de lotação, os períodos de ocupação e de descanso do pasto são baseados no crescimento da forrageira. A forma mais usual e prática de se verificar isso é através da altura de entrada e saída do pasto.
Altura de entrada
A altura de entrada é baseada no período em que a planta atinge aproximadamente 95% de interceptação luminosa (IL), ou seja, apresenta máxima produtividade: maior quantidade de folhas, poucos talos e pouco material morto.
Altura de saída
Já a altura de saída é importante para que a planta possa rebrotar e atingir novamente os 95% de IL para ser submetida a um novo pastejo. Isso é otimizado com a saída dos animais do pasto (pastejo rotacionado), pois, caso os animais permaneçam nos piquetes sem respeitar esse limite:
- Ocorre baixo ganho de peso;
- Diminui-se a rebrota;
- Acelera-se o processo de degradação da pastagem, visto o prejuízo sobre as reservas fisiológicas da planta.
(Saiba mais sobre degradação de pastagens na nossa série do YouTube, De frente com especialistas).
As alturas de entrada e saída dos animais são definidas de acordo com cada espécie forrageira (Tabela 1).
| Capim / Gênero | Entrada | Saída (Alta Fertilidade) | Saída (Baixa Fertilidade) |
|---|---|---|---|
| Brachiaria – Marandu | 25 cm | 15 cm | 20 cm |
| Brachiaria – Xaraés | 30 cm | 15 cm | 20 cm |
| Brachiaria – Piatã | 35 cm | 15 cm | 20 cm |
| Brachiaria – Humidícola | 20 cm | 5 cm | 10 cm |
| Panicum – Massai | 45 cm | 20 cm | 30 cm |
| Panicum – Mombaça | 90 cm | 30 cm | 50 cm |
| Panicum – Tanzânia | 70 cm | 30 cm | 50 cm |
| Cynodon – Estrela | 35 cm | 15 cm | 25 cm |
| Cynodon – Tifton-85 | 25 cm | 10 cm | 15 cm |
| Andropogon gayanus | 50 cm | 25 cm | 35 cm |
Em conjunto com um bom manejo de entrada e saída dos animais, pode-se ainda fazer à adubação da pastagem, pois pastos adubados têm maior produtividade de matéria seca, permitindo aumentar a taxa de lotação do pastejo rotacionado. Além disso, pastos bem adubados contribuem para uma melhor nutrição do rebanho, o que irá ocasionar uma engorda mais rápida e uma melhor eficiência reprodutiva das vacas.
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