Efeitos do pastejo animal na qualidade do solo

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O pastejo desempenha um papel central na dinâmica dos sistemas de produção animal e vegetal, influenciando diretamente processos físicos, biológicos e químicos do solo. Quando mal manejado, o pastejo pode desencadear efeitos negativos, como compactação, redução da biomassa vegetal e alterações na estrutura superficial, afetando a produtividade e a sustentabilidade das áreas de pastagem.

Por outro lado, práticas adequadas de manejo do pastejo são essenciais para manter o equilíbrio entre exploração pecuária e conservação do solo, especialmente em sistemas integrados de produção.

Compreender esses efeitos é fundamental para garantir a eficiência produtiva e a saúde do solo ao longo do tempo.

Quais são os efeitos do pastejo animal na qualidade do solo?

Em sistemas onde há a presença do animal, o pastejo intensivo e mal manejado pode reduzir a biomassa vegetal, diminuindo a proteção e interferindo na umidade e na temperatura do solo. Além disso, a compactação do solo derivada do tráfego de animais e de máquinas pode reduzir a qualidade do solo e, consequentemente, a produtividade do sistema.

Portanto, em sistemas integrados de produção agropecuária (SIPA), com o uso do solo de modo mais intensivo, deve-se proporcionar sinergismo entre as práticas de manejo do solo e a exploração pecuária para a viabilidade do sistema. Daí a importância da quantidade de biomassa produzida e da área de exploração do solo pelas raízes serem estratégias de manejo para melhoria da sua qualidade física, química e biológica.

A compactação exercida pelo pisoteio animal é apontada como uma das principais causas da degradação de áreas cultivadas em SIPA. No entanto, nesses sistemas conservacionistas, a camada de cobertura vegetal do solo tem função de atenuar esse efeito, por meio da palhada residual da cultura antecessora ou pelo próprio manejo do capim em altura de entrada e saída dos animais, ajustada à sua taxa de lotação.

Atributos físicos do solo em sistemas de pastejo

A qualidade do solo e suas interações com os atributos físicos são conhecidas por correlacionar-se com a compactação e com a densidade de forma inversamente proporcional, sendo ambas condicionadas ao manejo. Assim, a densidade e a porosidade do solo são atributos mais utilizados na avaliação da qualidade física em pastagens, principalmente nas camadas superficiais, pois têm reflexo direto no desenvolvimento de raízes.

A resistência do solo à penetração também é um atributo importante utilizado na avaliação da qualidade do solo sob pastejo animal, pois está diretamente relacionada ao crescimento das plantas, além de ser de fácil e rápida determinação.

Variabilidade espacial, pisoteio animal e manejo do solo

A determinação de sua variabilidade e distribuição espacial é uma inovação importante para monitorar camadas de impedimento mecânico do solo e determinar estratégias de manejo, até porque o hábito de pastejo está diretamente correlacionado à taxa de lotação, à espécie de capim da pastagem e à categoria animal.

O intenso pisoteio animal no solo pode ocasionar pressão superior à exercida por máquinas agrícolas; entretanto, em camadas superficiais, geralmente nos primeiros 5 a 8 cm, esses impactos podem ser atenuados pela camada vegetal que recobre o solo, principalmente em SIPAs bem manejados.

Conclusão

O pastejo exerce influência direta sobre os atributos físicos do solo, determinando sua capacidade de sustentar plantas, ciclar nutrientes e manter produtividade em sistemas pecuários e integrados. Quando conduzido de forma inadequada, o pastejo intensifica processos de degradação, especialmente pela compactação e pela redução da porosidade, comprometendo a infiltração de água e o desenvolvimento radicular.

No entanto, com estratégias de manejo adequadas — como controle da taxa de lotação, manutenção de cobertura vegetal e monitoramento da variabilidade espacial do solo — os impactos negativos do pastejo podem ser minimizados. Assim, o uso consciente e planejado do pastejo se torna uma ferramenta essencial para promover solos mais equilibrados, produtivos e resilientes.

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