O colostro é o primeiro alimento que o bezerro recebe após o nascimento e desempenha papel fundamental na sua sobrevivência e desenvolvimento. Rico em anticorpos, vitaminas, minerais e proteínas, ele é responsável pela transferência de imunidade passiva, protegendo o animal contra doenças nos primeiros dias de vida.
Garantir uma colostragem adequada é uma das práticas mais importantes no manejo de bezerras e bezerros, influenciando diretamente a saúde, o ganho de peso e o desempenho futuro dos animais. Neste artigo, você vai entender o que é o colostro bovino, para que ele serve, como ocorre a transferência de imunidade passiva e quais fatores podem afetar sua absorção.
O que é o colostro?
Por definição, colostro é o leite secretado imediatamente na primeira ordenha após o parto e é fundamental para o desenvolvimento dos bezerros.
Esse líquido é rico em vitaminas (A, E e B12), minerais (como cálcio, fósforo, magnésio e sódio), proteínas e imunoglobulinas, que são anticorpos que integram o sistema de defesa do organismo do neonato.
É importante diferenciar o colostro do leite de transição, que é a secreção que aos poucos vai perdendo as características de colostro e vai se assemelhando gradualmente ao leite integral.
Para que serve o colostro?
Durante o período gestacional, não há passagem de anticorpos da vaca para o bezerro através da placenta e, por esta razão, o colostro adquire importância vital para as fases iniciais. Além da passagem de anticorpos, células de defesa são transferidas e atuam contra diversos tipos de infecções.
A transferência dessas imunoglobulinas para os bezerros tem o papel de estabelecer a imunidade passiva, principal barreira do sistema imune no início da vida dos bovinos.
Como funciona a transferência de imunidade passiva que o colostro oferece?
Os anticorpos, ou imunoglobulinas, são proteínas encontradas normalmente na circulação sanguínea e compõem uma parte importante do sistema imune dos bovinos. Elas atuam identificando e destruindo bactérias e outros micro-organismos, assim como na proteção de membranas de alguns órgãos, como o intestino, por exemplo.
Acontece que o colostro contém vários tipos destas proteínas que protegem os animais, como por exemplo: IgG, IgM e IgA.
Por isso, em rebanhos onde ocorre falha nessa transferência de imunidade passiva é muito comum observar maiores incidências de doenças como diarreia, onfalites, artrites, doenças respiratórias e até mesmo um menor ganho de peso.
Fatores que afetam a absorção do colostro por bezerros
Para maximizar a eficácia do colostro, é necessário garantir o suprimento adequado de colostro em relação à quantidade e qualidade e atentar-se aos fatores que podem afetar a absorção:
Tempo da ingestão do colostro
O que pouca gente sabe é que existe uma janela de tempo onde acontece a máxima absorção dos componentes do colostro. Isso acontece porque as células intestinais do bezerro apresentam melhor capacidade absortiva nas primeiras horas de vida.
Passado este período, a absorção fica comprometida e a eficácia dos constituintes do colostro diminui drasticamente. A regra de ouro é que o bezerro seja colostrado dentro de, no máximo, 6 horas de vida.
Método de colostragem
A colostragem na fazenda pode ser feita por diferentes métodos, dentre os quais podemos citar: sonda esofágica, mamadeira e até mesmo a colostragem natural, que consiste em deixar o bezerro mamar o colostro à vontade na mãe.
Porém, observam-se maiores taxas de falhas de transferência passiva em bezerros que são colostrados pelo método natural.
Volume fornecido
Normalmente recomenda-se que seja administrado o correspondente a 10% do peso vivo. O ideal é que o colostro seja fornecido por sonda ou mamadeira, já que é praticamente impossível certificar a quantidade de colostro que o bezerro mamou direto na vaca.
Concentração de imunoglobulinas
É um ponto que se relaciona diretamente com a qualidade e nada mais é do que a indicação da quantidade de anticorpos na composição do colostro. Existem ferramentas que podem ser empregadas rotineiramente para estimar essa quantidade, como o refratômetro e o colostrômetro.
Idade da vaca
As vacas de primeira lactação costumam produzir o colostro em menor volume. Já as multíparas, por terem tido mais contato com micro-organismos ao longo da vida produtiva e enfrentado mais desafios sanitários, produzem um colostro com concentração superior e maior diversidade de anticorpos.
Genética da vaca
Vacas com maior potencial genético e produtivo podem expressar essa característica logo após o parto. Ou seja: vacas de alta produção tendem a produzir um maior volume de colostro.
Como avaliar a qualidade do colostro?
A qualidade do colostro está diretamente relacionada à sua concentração de imunoglobulinas, especialmente a imunoglobulina G (IgG), principal responsável pela transferência de imunidade passiva aos bezerros.
Para avaliar essa qualidade, podem ser utilizadas ferramentas como o refratômetro e o colostrômetro, que permitem estimar a concentração de anticorpos presentes no colostro. Esse monitoramento auxilia na identificação de colostros mais adequados para fornecimento aos recém-nascidos e para armazenamento em bancos de colostro.
Como armazenar colostro corretamente?
O armazenamento adequado é uma alternativa para garantir a disponibilidade de colostro de qualidade quando necessário. O excedente produzido por vacas com bom colostro pode ser conservado para utilização futura.
O colostro pode ser refrigerado por curtos períodos ou congelado para armazenamento prolongado. Nesses casos, é importante identificar os recipientes, manter boas condições de higiene durante a coleta e realizar o descongelamento de forma adequada para evitar perdas na qualidade e preservar os anticorpos presentes na sua composição.
A importância do colostro para o desenvolvimento dos bezerros
O fornecimento adequado de colostro é um dos pilares do manejo de bezerros recém-nascidos. A qualidade do colostro, o volume fornecido, o método de colostragem e o momento da ingestão são fatores que influenciam diretamente o sucesso da transferência de imunidade passiva.
Quando realizado corretamente, esse manejo contribui para reduzir a ocorrência de doenças, melhorar o desenvolvimento dos animais e favorecer os resultados produtivos do rebanho ao longo da vida.
Perguntas frequentes sobre colostro bovino
Qual é a concentração ideal de imunoglobulinas no colostro?
A concentração de imunoglobulinas é um dos principais indicadores da qualidade do colostro. Quanto maior a concentração de anticorpos, maior o potencial de transferência de imunidade passiva para o bezerro. Ferramentas como refratômetros e colostrômetros podem ser utilizadas para monitorar essa característica na rotina da fazenda.
Quais são as consequências da falha na transferência de imunidade passiva?
Bezerros que não recebem quantidade suficiente de anticorpos por meio do colostro apresentam maior predisposição ao desenvolvimento de doenças, como diarreias, onfalites, artrites e enfermidades respiratórias. Além disso, podem apresentar menor desempenho zootécnico e ganho de peso reduzido.
A idade da vaca influencia a qualidade do colostro?
Sim. Vacas multíparas tendem a produzir colostro com maior concentração e diversidade de anticorpos, resultado da maior exposição a desafios sanitários ao longo da vida produtiva. Já vacas de primeira lactação costumam produzir colostro em menor volume.
O fornecimento tardio de colostro compromete a absorção de anticorpos?
Sim. A capacidade de absorção de imunoglobulinas pelo intestino do bezerro diminui progressivamente após o nascimento. Por isso, a colostragem deve ser realizada preferencialmente nas primeiras horas de vida para maximizar a transferência de imunidade passiva.
A colostragem natural é suficiente para garantir a transferência de imunidade passiva?
Nem sempre. Embora seja um método amplamente utilizado, a colostragem natural dificulta o controle sobre o tempo de ingestão, o volume consumido e a qualidade do colostro ingerido. Por essa razão, pode apresentar maiores índices de falha na transferência de imunidade passiva.
Por que manter um banco de colostro na fazenda?
O banco de colostro permite armazenar excedentes de colostro de boa qualidade para utilização em situações de necessidade, como quando a vaca produz colostro insuficiente ou de baixa qualidade. Essa prática aumenta a segurança do manejo neonatal e contribui para o fornecimento adequado de anticorpos aos bezerros.
Qual a relação entre qualidade do colostro e desempenho futuro dos animais?
A colostragem adequada está associada à redução da ocorrência de enfermidades nos primeiros meses de vida e pode contribuir para melhores índices de crescimento, desenvolvimento e desempenho produtivo ao longo da vida do animal.

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