Como usar DDGS e WDGS na alimentação de bovinos?

4 min de leitura

O que você sabe sobre DDGS e WDGS? No artigo de hoje você ficará por dentro das principais informações sobre DDGS e WDGS na nutrição animal, prossiga a leitura e saiba tudo!

No cenário de agricultura de precisão e de uma pecuária cada dia mais moderna, o uso de produtos alternativos que impulsionam a sustentabilidade é imprescindível. Os subprodutos da indústria de etanol podem ser utilizados de forma estratégica para atender às exigências nutricionais de bovinos e de outros animais durante as fases de crescimento e produção geral.

Hoje, o maior produtor de etanol de milho no mundo continua sendo os Estados Unidos, com produção recente em torno de 62,4 bilhões de litros (2025). No Brasil, o etanol de milho já representa cerca de 20% da produção nacional (2024), somando aproximadamente 7,5 bilhões de litros, com projeções de atingir cerca de 10 bilhões de litros por safra nos próximos ciclos.

Um hectare de cana-de-açúcar produz cerca de 70 a 100 toneladas no Centro-Sul do Brasil e rende entre 80 e 90 litros de etanol por tonelada, totalizando entre 5.600 e 9.000 litros de etanol por hectare. Já o milho, embora seja mais eficiente na produção de etanol por tonelada (em torno de 380 a 420 litros por tonelada), proporciona uma produção média de etanol por hectare menor, devido à sua produtividade agrícola, porém sua qualidade oscila pouco em comparação com a cana e é praticamente isenta de impurezas.

Qual a diferença do DDGS e WDGS?

Os subprodutos mais requisitados desse segmento para produção animal são o DDGS e o WDGS, siglas para “dried distillers grains with solubles” e “wet distillers grains with solubles”. O que diferencia os dois produtos é que, no final do processo da destilaria para obtenção do etanol, um é seco em estufa e fica com cerca de 10 a 12% de umidade, enquanto o outro segue úmido, sem passagem por estufa, apresentando aproximadamente 65% de umidade

DDGS-e-WDGS-na-mão

Na venda, o WDGS acaba sendo mais barato que o DDGS por causa do custo de secagem do produto. Para nutrição animal, a compra é mais vantajosa quando o produtor está próximo das usinas, pois em longas distâncias o produto encarece devido ao frete e à sua vida útil, que é de cerca de 3 a 4 dias quando armazenado de forma convencional. Uma das soluções para esse problema é a ensilagem desse material em silos convencionais ou em bags de grande capacidade.

Uma das grandes vantagens do uso do DDGS e do WDGS é seu valor nutritivo. Esses alimentos podem ser até três vezes mais proteicos que o milho, sendo cerca de 60% de proteína não degradável no rúmen (PNDR). Sua energia está pouco vinculada ao amido, o que é uma vantagem, e seu elevado teor de óleo (extrato etéreo), com maior escape para o intestino do animal, não prejudica a fermentação ruminal. Aliado à elevada PNDR, esses fatores explicam parte do benefício energético desses alimentos.

A PNDR que chega ao intestino eleva o aporte de proteína metabolizável, aumentando a oferta de aminoácidos para o animal. Parte desses aminoácidos é utilizada para síntese proteica pelos tecidos, enquanto outra parte pode ser convertida em energia (glicose) no fígado.

A fibra desses coprodutos apresenta alta digestibilidade, com cerca de 66% de fibra em detergente neutro (FDN) e aproximadamente 15% de fibra em detergente ácido (FDA), componentes importantes da parede celular vegetal. A fibra desempenha papel indispensável na alimentação de ruminantes, pois influencia diretamente a fisiologia digestiva.

Benefícios do DDGS

O perfil “passante” da proteína contida no DDGS oferece aos bovinos uma fonte direta de proteína metabolizável de alto valor nutricional. Dessa forma, perdas metabólicas associadas à degradação ruminal podem ser minimizadas, como as emissões de metano, por exemplo. Ao mesmo tempo, devido à capacidade dos ruminantes de reciclarem nutrientes, especialmente o nitrogênio, as necessidades dos microrganismos ruminais também podem ser atendidas.

Sistemas intensivos que utilizam forrageiras de alta qualidade também podem se beneficiar do uso de DDGS, promovendo efeito de substituição no consumo de pasto, poupando a forragem e permitindo maior lotação animal na área.

Já sistemas que utilizam forragens de menor qualidade são diretamente beneficiados pelo fornecimento de nutrientes limitantes, como proteína, além de apresentarem ganhos decorrentes de efeitos associativos positivos, como o aumento da capacidade de lotação animal.

Nos estudos conduzidos, a qualidade da forragem está diretamente relacionada com os efeitos da digestão quando o DDGS é suplementado. Em forragens de baixa qualidade, o consumo total tende a não ser reduzido ao longo do tempo. Já em forragens de alta qualidade, pode ocorrer redução na taxa de degradação ruminal, embora o balanço geral permaneça positivo.

A suplementação com DDGS em sistemas de pastagem pode aumentar a capacidade de lotação, tornando o sistema mais eficiente e rentável ao maximizar a produção por área.

Vale a pena utilizar DDGS como alternativa para nutrição animal?

Como conclusão, o uso de DDGS e WDGS é uma excelente alternativa para suplementação animal. Sua inclusão deve estar alinhada à projeção de desempenho dos animais e da área produtiva. Quando adquiridos próximos às usinas, esses coprodutos tornam-se uma fonte de baixo custo e alto valor nutritivo, aumentando a rentabilidade do sistema.

É fundamental contar com o apoio de um nutricionista para definir corretamente níveis de inclusão e manejo desses ingredientes.

Vale ressaltar que o uso de DDGS não substitui o fornecimento de forragem. A partir disso, investir na qualidade da pastagem é essencial. Nesse sentido, temos uma excelente alternativa para melhorar a qualidade nutricional das pastagens: o MPasto, linha especial desenvolvida pela Mosaic.

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