Suplementação mineral: como avaliar o custo-benefício de forma eficiente?

7 min de leitura

Quando falamos de preços de suplementação mineral, essencial para a nutrição de bovinos a pasto, as discussões são sempre acaloradas. Mas será que estamos realmente fazendo comparações justas? Será que estamos olhando para diferentes prismas deste assunto ou estamos “comprando gato por lebre”?

A expressão significa receber algo com qualidade inferior ao que é esperado. O cliente, quase sempre por fruto de sua inexperiência em identificar o que está adquirindo ou de uma má assessoria, pode ser levado a cometer equívocos.

Desta forma, a escolha dos suplementos minerais exige conhecimento global, considerando:

  • Composição do produto;
  • Formulação equilibrada;
  • Níveis de garantia;
  • Custos da ingestão diária;
  • Biodisponibilidade da matéria-prima utilizada para a fabricação da mistura mineral.

Tais fatores favorecem o desempenho desejado: saúde do rebanho e melhor rentabilidade das operações pecuárias. Discorreremos neste texto sobre os principais tópicos que devem ser considerados para realizar uma comparação justa e criteriosa entre suplementos minerais.

Por que a suplementação mineral é indispensável para a produtividade do rebanho

O rebanho brasileiro, estimado em 197,2 milhões de animais, é o maior rebanho comercial do mundo, sendo que mais de 90% da atividade pecuária baseia-se no sistema de produção a pasto, amplamente favorecido pelo clima tropical predominante no país. Contudo, na sua imensa maioria, nossos solos são pobres em minerais como:

  • Fósforo;
  • Zinco;
  • Cobre.

Os desequilíbrios minerais ou a submineralização dos rebanhos são responsáveis pela baixa produtividade pecuária, seja no âmbito produtivo e reprodutivo, com impacto sobre ganho médio diário, produção de leite e fertilidade, seja no âmbito da saúde propriamente dita, com impacto no crescimento e na formação óssea, fraturas, abortos e queda da resistência imunológica.

Desta forma, é primordial lançar mão da suplementação mineral de boa qualidade, mesmo em pastagens bem manejadas ou na época das águas, pois, normalmente, ela ainda não é suficiente para atender a todas as exigências dos animais, e deficiências desta categoria causam anormalidades fisiológicas e/ou estruturais.

Dentre os minerais que devem ser suplementados, o fósforo destaca-se pela importância das funções que desempenha no organismo animal. É o mineral com maior número de funções descritas, imprescindível para a formação dos ossos e dentes. Atua no controle da ingestão de matéria seca, na multiplicação das bactérias do rúmen, além de ser fundamental para a reprodução dos bovinos.

Assim, a suplementação via fosfatos de boa procedência na mistura mineral é indispensável, pois, além de ser importantíssima na nutrição animal, também tem relevância na composição do preço dos suplementos mais utilizados no Brasil: a linha branca. Quando consideramos um sal com 8% de fósforo em sua composição (sal 80), esta matéria-prima pode representar acima de 70% do custo do produto. Por este aspecto citado, é possível perceber que não há milagres. Quando, na comparação entre dois suplementos com o mesmo percentual de fósforo, um deles apresenta-se 20% ou 30% mais barato, deve-se investigar a sua procedência.

Além do preço: como avaliar a qualidade de um suplemento mineral

As empresas idôneas do mercado, responsáveis pela fabricação de suplementos minerais para bovinos com base em legislações específicas, adotam rigorosas boas práticas na qualificação de fornecedores e na seleção das matérias-primas, considerando padrões mínimos que assegurem a qualidade, a conformidade, a inocuidade dos ingredientes e a segurança dos alimentos ao longo da cadeia.

Essa boa prática envolve a escolha de fontes minerais de alta pureza e biodisponibilidade, considerando a origem da rocha fosfática, o processo de fabricação, a forma química em que o elemento está presente, a solubilidade em ácido cítrico 2% e o teor de elementos indesejáveis.

A origem do fósforo faz toda a diferença

O fosfato bicálcico é obtido por meio da reação de uma fonte de cálcio (cal ou calcário) com o ácido ortofosfórico. Dos três tipos de rochas dos quais é possível extrair o concentrado fosfático (ígneas, metamórficas e sedimentares), as primeiras são as que apresentam maior pureza devido à sua formação. São rochas provenientes da solidificação do magma, massa incandescente que existe no interior dos vulcões e é lançada para fora. As rochas magmáticas são muito duras, formam grandes blocos e não contêm fósseis (restos de animais e vegetais). Por essas características, elas possuem os menores teores de flúor e outros metais indesejáveis (cádmio, arsênio, chumbo e mercúrio).

Os produtos da Linha Foscálcio são formulados a partir de ácido fosfórico feed grade e carbonato de cálcio, oriundos de rochas ígneas, que contêm os menores teores de elementos indesejáveis.

esquema de produção do Foscálcio

Figura 01: Representação esquemática do processo produtivo do Foscálcio. 

Fontes de fósforo de origem duvidosa, que possam conter altos teores de flúor, elementos indesejáveis e contaminantes como dioxinas e furanos, têm seu uso proibido na nutrição animal.

A Portaria 359, de 9 de julho de 2021 (MAPA), preconiza uma relação fósforo/flúor mínima de 100/1, o que significa que as fontes de fósforo devem possuir no máximo 1% de flúor em sua composição, pois, em excesso, pode ocasionar fluorose, cujos principais sintomas são má mineralização óssea, fraturas, anomalias dentárias, manqueiras e diminuição do apetite. Já os suplementos de pronto uso devem atender ao limite máximo de dois mil miligramas de flúor por quilograma de produto (IN 12/2004, MAPA).

Os produtos da Linha Foscálcio, a melhor e mais pura fonte de fósforo (P) e cálcio (Ca) para a nutrição animal, contribuem para os melhores índices produtivos e reprodutivos do rebanho. A produção verticalizada, ou seja, todas as matérias-primas necessárias para a produção são oriundas da mina, assegura a qualidade em todas as fases do processo, atendendo aos mais rigorosos requisitos de controle de qualidade, nacionais e internacionais. Os produtos são diariamente analisados para determinar seus níveis de garantia e assegurar um ingrediente seguro para o mercado consumidor.

Teores de cádmio, arsênio, chumbo e mercúrio são constantemente monitorados, considerando parâmetros de normativas internacionais da União Europeia, que estabeleceu os níveis máximos para as substâncias indesejáveis por meio dos Regulamentos 1275/2013, de 6.12.2013, e 2019/1869, de 7.11.2019, sobre os ingredientes e produtos acabados para animais, visando manter uma fisiologia animal saudável e sem risco de contaminação de seus produtos para consumo humano.

MercúrioArsênioCádmioChumbo
0,1101015

Tabela 1: Limite máximo permitido (mg/kg) em fosfatos para nutrição animal

Biodisponibilidade e desempenho: a relação que impacta os resultados

Mais importante do que o percentual do nutriente presente no alimento ou o preço por kg da fonte de fósforo é considerar sua biodisponibilidade, pois de nada adianta termos o elemento presente se ele não refletirá em melhores índices produtivos, correndo o risco de o “barato sair caro”.

As fontes minerais de fósforo podem apresentar de 30% a 90% de biodisponibilidade, dependendo da sua origem (ígneas, metamórficas e sedimentares), do processamento industrial (controle de temperatura, uso de diferentes fontes de cálcio) e da forma molecular (monocálcico, bicálcico ou tricálcico).

Quando falamos em contaminação das fontes de P pelos elementos indesejáveis, temos que o alumínio e o ferro podem complexar o fósforo, reduzindo sua disponibilidade. O excesso de chumbo e cádmio nos fosfatos pode levar a uma menor absorção do fósforo por serem antagônicos a ele, diminuindo sua absorção e podendo causar alterações no sistema reprodutivo dos bovinos, como abortamento e baixa absorção de cálcio. Além do menor desempenho, os contaminantes também representam um risco à saúde animal e humana, uma vez que essas substâncias podem se propagar na cadeia alimentar por meio da contaminação da carne, dos miúdos e do leite dos animais, que consequentemente serão consumidos por todos nós.

No processo de fabricação de fosfatos, quando ocorrem temperaturas acima das recomendadas, pode ocorrer a formação de pirofosfato (resultado de aquecimento brando) e metafosfato (resultado de aquecimento forte). Essas duas formas apresentam biodisponibilidade inferior ao fosfato bicálcico e, por isso, a avaliação dos fosfatos pelo método da solubilidade em ácido cítrico 2% é tão importante e essencial para avaliarmos a qualidade da matéria-prima utilizada. Nesses dois casos, a solubilidade fica abaixo de 80%.

Os produtos da Linha Foscálcio são produzidos com calcário, ou seja, são estáveis e seguros. O uso dessa fonte de cálcio inibe a formação de fósforo insolúvel, o que aumenta a absorção dos minerais e, consequentemente, a performance dos animais.

banner foscálcio

Outro ponto a ser considerado na avaliação da biodisponibilidade das fontes inorgânicas de fósforo é a solubilidade em água. Esta análise realizada em laboratório fornece informações sobre as proporções da composição molecular dos fosfatos, sejam elas monocálcicas, bicálcicas ou tricálcicas. Quanto maior o valor de solubilidade em água encontrado, maior a proporção monocálcica, o que se traduz em maior digestibilidade do nutriente.

Contudo, é preciso lembrar que a forma monocálcica contém em sua composição a maior quantidade de pontes de hidrogênio e, apesar de ser altamente biodisponível, é muito pouco estável, não sendo recomendada para uso em linha branca. A forma bicálcica é a mais utilizada no Brasil, possuindo estabilidade nas misturas minerais, com teor de biodisponibilidade de 75% a 90%, dependendo das matérias-primas utilizadas e do processamento. Na forma tricálcica, não há nenhuma ponte de hidrogênio e, desta forma, ela é muito estável e não causa empedramento, porém tem baixa biodisponibilidade (30% a 60%). Um exemplo desta fonte de fósforo são as farinhas de ossos calcinadas.

Posto as informações acima, a Linha Foscálcio possui o perfeito equilíbrio entre fosfatos mono e bicálcico, proporcionando maior estabilidade e biodisponibilidade na linha de nutrição animal. Em um estudo conduzido pelo professor Fernando Leonel, em São João del-Rei (MG), compararam-se diferentes fosfatos disponíveis no mercado na suplementação de bovinos de corte e sua correlação com o consumo da matéria seca (CMS) e a digestibilidade da matéria seca ingerida (DMS).

Dentre os quatro produtos testados, os animais que receberam Foscálcio 19® Microgranulado apresentaram um CMS quase 10% superior aos demais tratamentos. O valor encontrado para a DMS quando do uso de Foscálcio 19® Microgranulado foi de 53%, valor superior aos 48% ou menos dos demais produtos testados.

Esses resultados podem ser explicados pela proporção de fosfato monocálcico presente no Foscálcio 19® Microgranulado, que é mais disponível no rúmen. Desta forma, a multiplicação de microrganismos celulolíticos é maximizada.

Por serem responsáveis pela fermentação e absorção da fibra do pasto, microrganismos em maior número tendem a aumentar o consumo de pastagem pelo aumento da taxa de passagem do alimento.

Com um maior ataque à fibra ingerida, otimiza-se o uso e a absorção dos nutrientes, impactando diretamente a digestibilidade da matéria seca da dieta e favorecendo o maior desempenho animal.

Transparência, rastreabilidade e desempenho: critérios para uma boa decisão

Em um setor cada vez mais competitivo e tecnológico, a informação é uma ferramenta poderosa.

Apesar de não haver “receita de bolo” na nutrição animal, ao entender a importância da qualidade da matéria-prima nos suplementos minerais para bovinos, os produtores estão não apenas investindo na saúde de seu rebanho, mas também na sustentabilidade e na rentabilidade de suas operações pecuárias a longo prazo.

Optar por fornecedores que valorizam a transparência, a rastreabilidade e a excelência desde a origem dos minerais até o produto final é essencial ao adquirir um suplemento mineral. Lembre-se: nem sempre o menor preço é o melhor preço!

A Mosaic é considerada a maior produtora de fosfato bicálcico da América Latina e opera em uma linha de produção verticalizada. Possui unidades em Cajati (SP) e Uberaba (MG), ambas com certificação ISO 9001 e selo IBD para produção orgânica. Os produtos para nutrição animal da Mosaic são elaborados seguindo os mais rigorosos padrões de uma empresa reconhecida mundialmente por sua excelência, que contribui para o crescimento da pecuária brasileira, fortalecendo seu compromisso com o desenvolvimento sustentável e com a missão de ajudar o mundo a produzir os alimentos de que precisa.

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