Como a compactação do solo pode afetar a produtividade pecuária?

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A compactação do solo é um tema muito abordado dentro dos sistemas de produção agropecuário. Estudos apontam que desde a década de 80 essa problemática já era observada por produtores e investigado pelos pesquisadores.

De maneira geral, a compactação caracteriza-se pela diminuição da porosidade do solo (espaços vazios), aumentando sua densidade. Sendo as causas mais comuns relacionadas ao mal manejo desse recurso pela atividade agrícola e/ou pecuária.           

Descubra por que a compactação do solo é uma ameaça para a produtividade da pecuária, conheça estratégias poderosas para prevenir e solucionar esse problema e muito mais!

O que é compactação do solo na pecuária?

Solos compactados apresentam resistência mecânica ao crescimento radicular das plantas, resultando em raízes fracas e com pouco profundas. Outro efeito negativo da compactação é a redução da infiltração e armazenamento de água no solo, impedindo que a água das chuvas chegue até as camadas mais profundas. Com a redução da capacidade de absorção de água, esse solo torna-se mais susceptível ao escorrimento superficial nos períodos de maior precipitação pluviométrica, provocando quadros de erosão.

Já em períodos de estiagem, como as raízes das plantas foram impedidas de crescer em profundidade, as culturas sofrem mais com o estresse hídrico, correndo o risco de não sobreviver, pois não possuem condições adequadas para absorver água e nutrientes em camadas mais profundas do solo.

Outro fator que ocorre nessas condições é a redução da aeração, o que compromete a concentração de oxigênio do solo, causando a morte das raízes.

Se somarmos os efeitos negativos do crescimento radicular, taxa de infiltração de água e aeração do solo, podemos concluir que a absorção de nutrientes pelas plantas também ficará comprometida, reduzindo ainda mais a produtividade das culturas, e consequentemente os lucros advindos da atividade agrícola e/ou pecuária.

Vale ressaltar que solos argilosos estão mais susceptíveis a compactação quando comparado a solos mais arenosos. Isso ocorre, porque as argilas são mais expansivas e apresentam maior porosidade total e microporosidade, sendo preenchidas com maiores facilidades quando as práticas de cultivo não são corretas.

Impactos da compactação do solo: comparando pisoteio animal e implementos agrícolas

Quando pensamos em produção animal, apesar dos resultados de pesquisa mostrar que o impacto do pisoteio em sistemas bem manejados e com taxa de lotação adequada não são prejudiciais sobre as propriedades físicas, químicas e biológicas do solo para a cultura implantada ou para a cultura subsequente ao pastejo, ainda observamos certa resistência principalmente por parte dos produtores de grãos na adoção de sistemas que visam intensificar e diversificar a produção dentro das propriedades, com por exemplo os sistemas de integração lavoura – pecuária.

De maneira geral, a compactação do solo pelo pisoteio animal se agrava pela remoção excessiva da área vegetal pelo superpastejo, ocasionado por taxas de lotação elevadas ou pelo erro no manejo do pastejo (entrada e saída dos animais na área). Como consequência, temos uma alta remoção de área foliar de cobertura do solo e pisoteio excessivo causado pela alta taxa de lotação.

Muito se compara o efeito da compactação do implemento agrícola versus o pisoteio animal. Se levarmos em consideração a pressão exercida por unidade de área com o mesmo peso, realmente os implementos agrícolas apresenta menor capacidade de compactação, pois a pressão exercida pelo rodado sobre o solo está distribuída em uma área maior.

No entanto, a compactação promovida pelos implementos agrícolas torna-se mais difícil de ser corrigida, pois causa danos nas camadas mais profundas do solo. Ao contrário do que ocorre com a compactação por pisoteio, este sendo superficial e mais fácil de ser corrigida.

Por que a compactação do solo é um problema para a produtividade da pecuária?

Nos sistemas de pastagem, é bem evidenciado que o principal fator que promove a compactação do solo está atrelado com sobrecarga animal, a baixa disponibilidade de forragem e os sistemas de pastejo não respeitar o desenvolvimento da cultura forrageira.

Para a pesquisadora Silva e colaboradores, os danos ocasionados pelas pressões impostas ao solo pelos animais dependem da intensidade da força aplicada e a frequência de pastejo. Forças e frequências moderadas a leves, que respeitem a capacidade de suporte de carga do solo, podem levar a pouco ou a nenhum prejuízo à estrutura do solo.

Conforme mencionado anteriormente, a compactação do solo limita o crescimento das raízes, a absorção de nutrientes e água, reduzindo significativamente a produção de forragem e consequentemente a produção de carne e leite/ha.

Estratégias para prevenir e remediar a compactação do solo

Dentre as ações que apresentam alto potencial para corrigir e prevenir a compactação do solo, podemos citar a adição de matéria orgânica no solo. Uma vez que, matéria orgânica no solo tem a capacidade de melhorar a estrutura e a porosidade total, reduzindo processos erosivos.

De acordo com Yada e outros pesquisadores, não somente o teor de carbono orgânico, mas todos os processos que estão relacionados a sua presença no solo como a atividade microbiana e a respiração basal são indicadores estratégicos no processo de recuperação e promovem melhoria e prevenção à compactação do solo.

A compactação promovida pelo pisoteio animal ocorre superficialmente, em geral na camada e 0 a 10 cm e, portanto, pode ser revertida naturalmente. Nos sistemas de pastejo, a camada de cobertura vegetal atenua o efeito da compactação através do manejo de entrada e saída dos animais e por meio do ajuste da taxa de lotação para que se mantenha uma área foliar residual capaz de proporcionar um bom recobrimento do solo.

Vale lembrar que a altura de pastejo (entrada e saída dos animais), varia para cada espécie forrageira conforme podemos observar na tabela 1 e esses indicativos de manejo devem ser conhecidos pelo pecuarista.

Tabela apresenta dados sobre a compactação do solo, destacando a entrada e saída dos animais de acordo com a espécie forrageira.
Tabela: Indicação de altura de entrada e saída dos animais de acordo com a espécie forrageira

A observação e a utilização dessas alturas de manejo das pastagens são extremamente importantes para assegurar um bom desempenho dos animais, garantir que o crescimento e desenvolvimento das pastagens e a saúde física do solo, evitando compactação da camada superficial pelo pisoteio.

O pesquisador Bassani, utilizando carga animal média de 775 kg/ha de peso vivo e um resíduo mínimo de 1500 kg/ha de matéria seca de um mix de aveia e azevém, não constatou solo compactado nas áreas de pastejo, esse autor atribuiu a massa de forragem residual o efeito atenuante da pressão exercida sobre o solo pela pata dos animais.

O uso de fertilizantes nas pastagens também desempenha um papel importante na prevenção da compactação do solo. No geral os pecuaristas investem pouco em práticas de correção e fertilização do solo, o que impacta negativamente a produtividade das plantas forrageiras, fazendo com que essas não tenham condições suficientes para produzir a quantidade de massa de forragem para suprir as necessidades nutricionais dos animais em pastejo. Essa prática leva a áreas com alta remoção da massa de forragem (superpastejo), com baixa massa de forragem residual para proteger o solo, reduzindo o teor de matéria orgânica, deixando o solo descoberto, susceptíveis a processos erosivos e plantas com raízes ainda mais superficiais.

Por esse motivo é de extrema importância trabalharmos a nutrição das culturas forrageiras. Selecionar fertilizantes com as concentrações adequadas de nutrientes e aplicá-los de maneira estratégica, levando em consideração o nível produtivo animal desejado. Plantas bem nutridas, tem maior capacidade de enraizamento e crescimento vegetativo (parte aérea), esses dois atributos contribuem para a descompactação dissipando a pressão da pata do animal.

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