Bovinocultura: guia completo sobre o assunto

6 min de leitura

Bovinocultura é, pelo dicionário, “criação de gado bovino” – tão somente. Mas, apesar de assertiva, a definição pode ser encarada como demasiadamente simplista. A partir do conteúdo abaixo, vamos abordar diversos aspectos da bovinocultura como espécies existentes, bovinocultura de corte e de leite e sistemas de produção. Vamos lá?

Qual a finalidade dos bovinos?

Tais animais estão presentes no Brasil desde sua descoberta. Na bovinocultura, podemos perceber que há um grande aproveitamento da espécie para diversos fins – sendo estes comestíveis ou não. 

Na nossa história como humanidade, as atividades relacionadas aos animais ou com o auxílio destes foi fundamental para avançarmos como sociedade em termos de desenvolvimento. 

Já chegamos a ter o maior rebanho do mundo e a pecuária é uma atividade de suma importância para a economia do país e alimentação não só do nosso mercado interno, como também do mundo.

Muito provavelmente você já ouviu alguém comentando que aproveitamos tudo de um boi, até mesmo seu berro. Mas, como assim? O que podemos aproveitar do animal?

São cerca de 49 segmentos que dependem de alguma forma dos bovinos. Além de serem importantes na alimentação de muitas pessoas, também temos a participação desses animais em cosméticos, medicamentos, itens de decoração (como cerâmicas) perfumaria, acessórios de couro (como casacos, bolsas, calçados e carteiras), filmes radiológicos e até mesmo em chicletes e na gelatina!

O que é bovinocultura de leite e corte?

Bovinocultura de leite é a criação de gado para fins de produção leiteira – sendo o próprio leite e seus subprodutos e a bovinocultura de corte é a criação de gado para fins de produção de carne.

Existem raças que possuem dupla aptidão, ou seja, atingem ótimos níveis de produção para ambos os casos. E há raças de aptidão única, ou seja, são indicadas para apenas uma finalidade.

É importante conhecer muito bem seu objetivo, a raça a ser cultivada, todo o processo de manejo, sistema de produção desejado, forrageiras, exigências nutricionais, solo e região para que seja feita uma bovinocultura inteligente e rentável. Para isso, você pode contar com especialistas em Zootecnia.

Como se classificam os bovinos?  

Primeiro, vamos esclarecer o que é um bovino. Por definição, um bovino é parte de uma subfamília de mamíferos artiodáctilos bovídeos. Um bos, nome científico, pode ser classificado como touro ou como boi – e a diferença entre eles é que o touro é o macho usado para fins reprodutivos, já o boi é castrado.

Dentro dessa família, temos o bos taurus (raças europeias) e o bos indicus (raças asiáticas). Na figura abaixo, fica mais fácil de entender toda a linhagem:

Infográfico com esquema  de evolução das principais subespécies de bovinos.

Quantas espécies de bovinos existem?

A partir de suas classificações, cada raça possui características marcantes, singulares e terão aptidões diferentes para fins produtivos e/ou reprodutivos. Se fôssemos detalhar aqui todas elas, o artigo ficaria muito extenso, então vamos focar nas principais raças para corte e leite aqui no Brasil.

Principais raças de gado de corte no Brasil

bovinocultura-bois-comendo-capim

1 – Nelore

De origem indiana, é a raça predominante no país. Cerca de 80% da produção de carne advém de tal raça ou seus cruzamentos. Vale ressaltar que o Nelore é bastante adaptado ao clima da nossa região e apresenta boa resistência para temperaturas elevadas.

Como principais características, podemos destacar a boa habilidade materna, boa fertilidade, bons índices de ganho de peso e boa resistência à doenças. Seu temperamento pode ser descrito como dócil e ativo.

2 – Angus

Originária da Escócia, é uma raça conhecida pela qualidade de sua carne e pelo alto grau de marmoreio apresentado, sendo este um entrelaço de gordura entre suas fibras. Angus é uma grande fornecedora de carne para o Brasil e também para o mercado internacional.

Em geral, são animais precoces para a puberdade e terminação. Capazes de alcançar altos índices de fertilidade e suas fêmeas tendem a apresentar facilidade no parto.

3 – Brahman

Com sua origem nos Estados Unidos, a raça resulta de um cruzamento de quatro outras raças zebuínas. Não tem porte muito grande, seus bezerros nascem pequenos, mas se desenvolvem muito rápido, sendo a precocidade também característica da raça.

Através de melhoramento genético, apresenta boas características advindas de suas raças matrizes e é considerado um excelente produtor de carne magra. Devido à sua coloração e odor, atrai poucos insetos.

4 – Brangus

Como a própria nomenclatura nos faz suspeitar, essa raça é o resultado do cruzamento entre Angus e Brahman, realizado de forma sintética nos Estados Unidos. O seu rendimento pode chegar a cerca de 60%, sendo de grande valor no mercado nacional e internacional.

Também com aptidões para corte, consegue entregar carnes marmorizadas. Rústicos, resistentes e adaptáveis de forma geral a diversos tipos de clima e flora, suas fêmeas possuem grande habilidade materna e precocidade. 

5 – Hereford

Teve sua origem na Inglaterra e é conhecida como uma das raças mais antigas do mundo. É bastante notada por sua pelagem de tons avermelhados e sua cara branca, também é vigorosa e dócil. Também um animal famoso pelo seu tamanho e resistência.

 Bastante lucrativa, consegue alto ganho de peso, apresenta altos índices de fertilidade, é favorável ao cruzamento com qualquer raça e sua idade média de abate gira em torno de 24 meses. 

Principais raças de gado de leite no Brasil

silhueta de homem e vaca leitera

1 – Holandesa

Talvez uma das raças mais populares do mundo, tem origem europeia e é amplamente conhecida por sua grande capacidade de produção leiteira. É uma raça dócil e de pelagem branca e preta. 

Possuem porte avantajado e demandam um consumo energético elevado. Por conta de seu tamanho e peso, é uma raça mais difícil de manejar e possui menos tolerância a erros. São mais sensíveis e podem ser mais susceptíveis às doenças.

2 – Gir

A raça zebuína foi introduzida no Brasil para produção de carne, mas devido às suas características, hoje é reconhecida por possuir aptidão dupla, ou seja: leite e corte. Ela é bastante adaptável e consegue suportar altas temperaturas.

É dócil, vigorosa e bastante utilizada em cruzamentos. Possui porte grande e sua pelagem é variada. Em geral, apresentam ótimas taxas de longevidade e conseguem se adequar bem. O leite fornecido por essa raça possui alto valor nutritivo.

3 – Guzerá

Raça de origem também zebuína, é utilizada principalmente nas regiões norte e nordeste. Adaptável, rústica e resistente, não exige um manejo tão complexo e suas despesas veterinárias costumam ser baixas. É uma ótima pedida para quem está iniciando na atividade.

Possui dupla aptidão, pois pode ser utilizada tanto na produção de leite quanto na produção de carne. Ganham peso com facilidade e apresentam ótimos índices de fertilidade.

4 – Sindi

Também da família zebuína com dupla aptidão, é uma raça de menor porte e por isso, consegue se adaptar melhor às regiões com menor disponibilidade de alimento. Possui temperamento bastante dócil e pelagem avermelhada.

Como destaque, ressaltamos a fertilidade, rusticidade e precocidade da raça. Está presente em todas as regiões do país.

5 – Jersey

Mais uma raça europeia, essa raça tem pelagem lisa de coloração marrom claro ou marrom escuro. É um animal de porte menor, bastante dócil, apresenta facilidade de parto e bons índices de longevidade. 

Por sua origem, pode ser mais afetada a fatores externos como pragas e doenças. Também é muito usada em cruzamentos. Seu leite é bastante nutritivo e bem avaliado no mercado.

Quais os tipos de sistemas de produção utilizados na bovinocultura?

Vaca de pelagem branca olhando diretamente para a câmera.

Quando falamos em sistemas de produção para bovinocultura, temos 3 principais classificações e formas de você realizar a bovinocultura. São eles:

Extensivo

Este sistema tem como principal característica deixar o animal em liberdade, em pastagem, aproveitando ao máximo os recursos naturais do ambiente e sem consumo de rações ou suplementos. Para tal, se faz necessário um bom grau de conhecimento do gestor da produção em relação à forragicultura, visto que o animal somente se alimentará via pasto.

Semi-intensivo

Como alternativa híbrida, nesse caso os animais são criados a pasto, mas também recebem algum tipo de suplementação e ração, principalmente na época das secas, quando a oferta de forrageiras no pasto pode reduzir de forma mais significativa.

Intensivo

Já a criação intensiva consiste em confinar os gados em pequenos espaços e o alimento ofertado é mais equilibrado. Nesse caso, a quantidade de animais é maior e o espaço por área é menor. É um sistema que faz uso da tecnologia, como inseminação artificial, utiliza mais insumos agrícolas como fertilizantes e maquinários. 

Mas os custos com mão de obra especializada (como veterinários e zootecnistas) tendem a aumentar. 

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Artigo escrito por Rebecca Guimarães | Coordenadora de Conteúdo Digital da Mosaic Fertilizantes.  

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