O consumo de carne suína no Brasil tem apresentado crescimento consistente nos últimos anos, refletindo a evolução da suinocultura brasileira e a maior aceitação da proteína pelos consumidores. Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o consumo per capita atingiu 19,1 kg por habitante em 2025, um dos maiores índices já registrados no país.
Além do fortalecimento do mercado interno, a produção nacional de carne suína alcançou 5,592 milhões de toneladas em 2025, consolidando o Brasil como o quarto maior produtor e o terceiro maior exportador mundial da proteína.
Nesse cenário, a exigência dos consumidores e a busca por informações sobre qualidade, manejo e sistemas de criação tornam-se cada vez mais relevantes para o desenvolvimento da cadeia produtiva de suínos.
Ao longo deste conteúdo, serão abordados os principais temas relacionados ao sistema de produção de suínos, incluindo a cadeia produtiva da suinocultura, os modelos de criação e as etapas que compõem o ciclo produtivo. Continue a leitura e confira!
Como funciona a cadeia produtiva de suínos?
De maneira geral, a cadeia produtiva da suinocultura é organizada e estruturada por diferentes elos que atuam de forma integrada, desde o fornecimento de insumos até a chegada da carne suína ao consumidor final. Seu principal objetivo é garantir eficiência produtiva, qualidade dos produtos e competitividade para o setor. A seguir, conheça cada etapa da cadeia produtiva de suínos:
- Apoio: engloba as atividades relacionadas à genética, responsável pela melhoria do desempenho produtivo e da resistência dos animais às doenças, além do fornecimento de insumos por empresas de rações, ingredientes, medicamentos, equipamentos e instalações.
- Criatórios: correspondem às propriedades rurais e empresas produtoras responsáveis pela criação de suínos, incluindo o manejo dos animais e a administração das instalações de produção.
- Industrialização: compreende os abatedouros, frigoríficos e indústrias transformadoras, responsáveis pelo abate dos animais, processamento dos cortes de carne suína e aproveitamento dos subprodutos, agregando valor à produção.
- Comercialização: envolve varejistas, atacadistas e exportadores. Os varejistas comercializam os produtos diretamente aos consumidores finais, enquanto os atacadistas atuam como intermediários entre produtores e varejo, e os exportadores atendem aos mercados internacionais.
- Consumidor: representa o elo final da cadeia produtiva, sendo composto pelos compradores dos mercados interno e externo, responsáveis pela aquisição, preparo e consumo dos produtos derivados da carne suína.
Sistemas de produção de suínos
O sistema de produção de suínos é classificado de acordo com o tipo de manejo adotado na criação dos animais. De modo geral, os principais modelos utilizados na suinocultura são o sistema extensivo, o sistema semi-extensivo e o sistema intensivo, que pode ser realizado com suínos criados ao ar livre ou em regime de confinamento.
Sistema extensivo
O sistema extensivo caracteriza-se pela criação de suínos soltos, com baixo nível de tecnificação e manejo simplificado. Nesse modelo, os animais são alimentados principalmente com sobras de alimentos e/ou culturas agrícolas disponíveis na propriedade, sendo uma prática normalmente voltada ao consumo próprio dos criadores.
Sistema semi-extensivo
No sistema semi-extensivo, os animais dispõem de instalações adequadas para manejo e proteção contra as condições climáticas. Os produtores já possuem maior conhecimento técnico sobre a criação de suínos e buscam aumentar a produtividade e a qualidade dos produtos, utilizando animais com melhor potencial genético obtidos por meio da seleção dos melhores reprodutores.
Sistema intensivo de suínos criados ao ar livre
Nesse sistema, os animais permanecem separados em piquetes e são manejados por produtores com nível tecnológico e conhecimento técnico mais avançados. Também são utilizadas rações específicas para cada fase de desenvolvimento dos suínos, visando melhorar o desempenho produtivo e garantir um sistema de produção eficiente e de menor custo.
Sistema intensivo de suínos confinados
O sistema intensivo de suínos confinados apresenta elevado nível tecnológico e utiliza animais com alto potencial genético, buscando maior eficiência produtiva e redução do tempo necessário para alcançar o peso de abate.
Os animais permanecem durante todo o período de criação em instalações cobertas, com piso adequado e ambiente controlado. Além disso, cada fase da produção possui instalações específicas e programas nutricionais desenvolvidos para atender às necessidades dos animais e alcançar os objetivos produtivos de forma eficiente.
Conheça as 6 principais fases do ciclo de produção de suínos
O ciclo de produção de suínos é composto pelas etapas de reprodução, gestação, maternidade, creche, crescimento e terminação. Cada fase desempenha um papel fundamental no desenvolvimento dos animais e exige instalações específicas, manejo adequado e programas nutricionais formulados de acordo com as necessidades de cada categoria.

Reprodução
Na fase de reprodução, tanto os machos quanto as fêmeas devem apresentar características que permitam a seleção dos melhores animais para a formação de leitegadas de qualidade.
Um macho considerado reprodutor de qualidade deve apresentar testículos salientes, bons aprumos e comportamento sexual ativo. Já uma boa matriz deve possuir tamanho adequado de vulva, ausência de desvios de coluna, bom comprimento e profundidade corporal, além de ter origem em uma leitegada numerosa.
Após a cobrição, as fêmeas são separadas dos machos e monitoradas diariamente para verificar o possível retorno ao cio, ocorrência de abortos, enfermidades ou presença de secreções.
Gestação
Durante a gestação, as matrizes permanecem em instalações específicas que proporcionam conforto e minimizam situações de estresse.
As fêmeas permanecem nesses locais desde a cobrição e a confirmação da gestação, geralmente realizada por ultrassonografia cerca de 30 dias após a cobertura, até aproximadamente sete dias antes da data prevista para o parto, quando são transferidas para a maternidade para adaptação ao ambiente.
O período de gestação dos suínos dura, em média, 114 dias, ou cerca de 3 meses, 3 semanas e 3 dias.
Nessa fase da produção de suínos, a alimentação é composta por dietas específicas para atender às exigências nutricionais das matrizes, além de água fornecida à vontade.
Maternidade
A maternidade é a fase em que a leitoa ou porca permanece com sua leitegada por aproximadamente 28 dias após o parto. Todo o processo de parto deve ser acompanhado para que seja possível prestar assistência à fêmea e aos leitões quando necessário.
A sala de maternidade deve manter temperatura máxima de 24°C para as matrizes e mínima de 32°C para os leitões. Além disso, a instalação deve contar com cela parideira para reduzir o risco de esmagamento dos recém-nascidos e rotinas adequadas de limpeza e higiene.
No dia do parto, as porcas recebem apenas água. Durante a lactação, a ração deve ser fornecida à vontade. Para os leitões, a alimentação sólida deve ser introduzida a partir dos sete dias de vida até o momento do desmame.
Entre os principais cuidados realizados ao nascimento dos leitões destacam-se:
- Higienização das narinas e da boca;
- Massagens na região lombar para estimular a respiração;
- Amarração do umbigo entre 4 e 5 cm de comprimento;
- Corte do cordão umbilical cerca de 1 cm abaixo da amarração e posterior desinfecção com iodo;
- Orientação dos leitões durante as mamadas, priorizando os menores nas tetas dianteiras;
- Corte dos dentes e da cauda somente após o nascimento de toda a leitegada.
Creche
Os leitões são transferidos para a creche aproximadamente 28 dias após o parto, sendo organizados em lotes de acordo com idade e sexo. Nessa fase, os animais pesam em média 8 kg e permanecem na instalação até cerca de 10 semanas de vida, quando atingem aproximadamente 20 kg.
Esse é um período que exige atenção especial, pois os leitões deixam de depender da amamentação e passam a receber exclusivamente rações formuladas para seu desenvolvimento.
Além do manejo nutricional, os animais devem ser vermifugados, observados frequentemente e mantidos em ambiente limpo, com monitoramento constante de comedouros, bebedouros e temperatura. Recomenda-se manter a temperatura em torno de 26°C nos primeiros 14 dias e 24°C nos dias seguintes.
Crescimento e terminação
Nas fases de crescimento e terminação, os animais permanecem nas instalações até o momento do abate, mantendo os mesmos lotes formados na creche.
Normalmente, são utilizados dois programas nutricionais distintos: um direcionado aos animais até atingirem aproximadamente 55 a 60 kg de peso vivo e outro destinado aos suínos até alcançarem cerca de 100 kg, peso tradicional de abate.
Durante esse período, as instalações devem ser monitoradas constantemente, com atenção à limpeza, ao funcionamento dos bebedouros e comedouros e ao controle da temperatura ambiente, que deve permanecer entre 16°C e 18°C.
Quais são os benefícios da carne suína?
A carne suína é uma das proteínas animais mais consumidas no mundo, com destaque para países da Europa e da Ásia. Sua popularidade está relacionada à versatilidade no preparo, ao sabor característico e ao seu importante valor nutricional, fatores que contribuem para uma alimentação mais equilibrada e diversificada.

A composição da carne suína é formada, em média, por 72% de água, 20% de proteínas, 7% de gorduras, 1% de minerais e menos de 1% de carboidratos. Além disso, é classificada como uma carne vermelha e apresenta nutrientes essenciais para o organismo.
Entre os principais benefícios da carne suína, destacam-se as elevadas concentrações de vitaminas do complexo B, ferro de alta biodisponibilidade e proteínas de alto valor biológico. Sua composição inclui todos os aminoácidos essenciais necessários para o organismo, contribuindo para a manutenção e o desenvolvimento da massa muscular.
Além disso, diversos cortes de carne suína apresentam excelente digestibilidade e podem possuir menor teor de gordura e calorias quando comparados a outros tipos de carne, dependendo do corte e da forma de preparo. Por isso, a carne suína pode fazer parte de uma alimentação equilibrada, fornecendo nutrientes importantes para diferentes fases da vida.
Tipos de carne suína
A carne suína oferece uma grande variedade de cortes que se diferenciam pelo sabor, textura, teor de gordura e formas de preparo. Essa diversidade contribui para a versatilidade da proteína na gastronomia e atende aos mais variados hábitos de consumo. Entre os principais cortes de carne suína, destacam-se:
- Bisteca ou carré: possui camada de gordura que contribui para a suculência e o sabor da carne;
- Copa-lombo: corte bastante marmorizado, considerado um dos mais saborosos da carne suína;
- Coxão-duro: apresenta sabor marcante e textura equilibrada, sendo comparado a cortes nobres, como a alcatra;
- Filé-mignon: corte macio e versátil, amplamente utilizado em diversas preparações gastronômicas;
- Panceta: corte conhecido pela combinação equilibrada entre carne e gordura, resultando em elevada suculência;
- Pé, focinho, orelha e rabo: tradicionalmente utilizados na culinária brasileira, especialmente em pratos como a feijoada. Em alguns países europeus, esses cortes também são empregados em preparações tradicionais e sofisticadas;
- Suã: corte localizado entre o lombo e a cauda do suíno;
- Pernil: corte bastante versátil, que pode ser preparado assado, em cubos, escalopes e outras apresentações culinárias;
- Fraldinha: corte suculento que preserva parte da gordura localizada na região abdominal do animal;
- Lombo: um dos cortes mais magros da carne suína, amplamente apreciado pela maciez e versatilidade;
- Ossobuco: corte localizado na porção superior do pé traseiro;
- Costela: um dos cortes de maior preferência entre os consumidores de carne suína;
- Maminha: pode ser preparada na churrasqueira, frigideira ou grill, especialmente quando servida em bifes;
- Alcatra: corte que exige atenção ao ponto de preparo, pois o excesso de cocção pode reduzir sua suculência;
- Picanha: corte valorizado pela maciez e suculência;
- Paleta: corte localizado na parte dianteira do suíno;
- Papada: amplamente utilizada na produção de torresmo e outras preparações culinárias;
- Joelho: corte tradicional em diversos países, embora ainda seja menos consumido no dia a dia dos brasileiros.
Produção de carne suína no Brasil
A suinocultura brasileira está entre as atividades mais importantes do agronegócio nacional, destacando-se pelos avanços em genética, nutrição, sanidade e manejo. O desenvolvimento tecnológico da cadeia produtiva tem contribuído para o aumento da eficiência produtiva e da qualidade da carne suína ofertada ao mercado.
Pelo elevado número de abates e pela forte presença de indústrias frigoríficas, Santa Catarina se destaca como principal polo da suinocultura no Brasil. Além disso, os estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste concentram sistemas de produção altamente tecnificados e apresentam elevados índices de produtividade.
Já nas regiões Norte e Nordeste, ainda são encontradas propriedades com características mais tradicionais, embora os investimentos em tecnologia e gestão também venham crescendo nos últimos anos.
A diversidade dos sistemas de criação adotados no país permite que a produção de suínos se adapte a diferentes realidades produtivas, desde pequenas propriedades familiares até grandes sistemas integrados.
De forma geral, os suinocultores têm buscado garantir produtos de maior qualidade e competitividade por meio da adoção de práticas de manejo sanitário, nutricional, reprodutivo e produtivo. Esses investimentos contribuem para o bem-estar animal, para a eficiência dos sistemas de produção e para a sustentabilidade da atividade no longo prazo.

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