Manejo de dejeto suíno: sustentabilidade e impacto ambiental

5 min de leitura

O dejeto suíno, é um desafio e uma oportunidade no dia a dia agrícola. O que o torna particularmente interessante é sua composição: rico em nutrientes valiosos, como nitrogênio, fósforo e potássio, torna-se um recurso valioso para a agricultura.

No entanto, a gestão inadequada desses dejetos pode acarretar sérios problemas ambientais e de saúde pública, com riscos de penalizações legais; por isso, é fundamental estar bem informado.  

Neste artigo, exploraremos as legislações, a importância do tratamento adequado e métodos sustentáveis para lidar com esses resíduos, ao mesmo tempo, em que responderemos a perguntas comuns sobre o assunto.

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O que é o dejeto suíno? 

Conforme relatado por Konzen, em pesquisa realizada em 1997, e por Diesel, Miranda e Perdomo, em estudo publicado em 2002, o termo “dejeto suíno” engloba todos os resíduos gerados pela criação de suínos, incluindo:

  • Fezes;
  • Urina;
  • Água desperdiçada pelos bebedouros;
  • Água de higienização;
  • Resíduos de ração;
  • Pêlos;
  • Poeira
  • Outros materiais.

Levantamentos de pesquisa realizados pela Epagri, no ano de 1996, indicaram que cada tonelada apresenta, em média, 6,8 kg de nutrientes NPK.

Essa combinação de elementos faz dos dejetos suínos uma substância rica em nutrientes, com um potencial valioso para a agricultura, como adubo para pastagem e/ou irrigação do solo. Porém, ao mesmo tempo, com uma necessidade crucial de gerenciamento adequado.

No próximo tópico, exploraremos as implicações conforme a legislação de dejeto suíno vigente.

O que a legislação para dejetos suínos diz? 

A Lei 6.938/81 estabelece diretrizes para a proteção do meio ambiente e orienta a prevenção e o controle da poluição causada por atividades produtivas. Já a Lei nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais, prevê sanções para condutas que causem danos ambientais. Nesse contexto, a suinocultura exige atenção especial devido ao potencial impacto dos dejetos quando não manejados corretamente. Produtores podem ser responsabilizados administrativa, civil e criminalmente por eventuais danos causados ao meio ambiente, à saúde das pessoas e ao bem-estar animal.

Dada a complexidade desse tema, alguns estados, como o Espírito Santo, optaram por implementar regulamentações específicas para tratar dos dejetos suínos.

A Instrução Normativa n.º 024, de 23 de outubro de 2014 complementa essa legislação ao estabelecer critérios para o licenciamento ambiental da atividade e orientar a captação, o tratamento e a destinação adequada dos dejetos líquidos de suínos, contribuindo para a proteção do meio ambiente e da saúde pública.

Qual a importância do manejo correto do dejeto suíno? 

O manejo de dejetos suínos adequado não só protege o meio ambiente e a saúde pública, mas também é benéfico financeiramente. Pois, proporciona:

  • Sustentabilidade ambiental: A tecnologia de manejo de dejetos de suínos visa a sustentabilidade ambiental da propriedade rural.
  • Reaproveitamento: Por meio das operações de reaproveitamento, a característica nociva dos dejetos é eliminada.
  • Biofertilizante: Os dejetos podem ser utilizados como biofertilizante na agricultura.
  • Geração de Energia: Os dejetos podem ser usados como combustível (biogás) na geração de energia.
  • Renda adicional: O reaproveitamento correto dos dejetos pode proporcionar rendimentos maiores para os suinocultores.

Portanto, o manejo adequado dos dejetos suínos é essencial para a proteção do meio ambiente e pode trazer benefícios econômicos significativos.

Além disso, atende às exigências cada vez mais presentes nos processos de licenciamento ambiental e nas práticas de sustentabilidade adotadas pela cadeia produtiva da suinocultura, evitando desafios ambientais graves, como a contaminação do solo e da água, além de preservar ecossistemas e recursos naturais. Por sua vez, a poluição da água causada por dejetos não tratados é uma ameaça significativa à qualidade dos corpos d’água e à vida aquática.

Assim, é importante destacar que o manejo adequado também minimiza os riscos para a saúde pública. Os dejetos suínos podem conter microrganismos que, quando não tratados adequadamente, podem contaminar água e alimentos, aumentando o risco de doenças e outros problemas sanitários.

Como tratar dejetos suínos de forma sustentável? 

Agora que já exploramos o que são os dejetos suínos, o que a legislação diz sobre eles e a importância de seu manejo adequado, é hora de aprender como tratar esses resíduos de forma sustentável.

Biodigestão

A biodigestão é um processo que converte os dejetos suínos em biogás, uma fonte de energia renovável composta principalmente por metano e dióxido de carbono.

Além de reduzir o impacto ambiental, o biogás pode ser utilizado na própria criação de suínos para geração de energia elétrica e térmica. O processo também contribui para o aproveitamento dos resíduos e para a redução das emissões associadas à atividade, tornando a produção mais sustentável. O material resultante da biodigestão ainda pode ser utilizado como biofertilizante.

Adubo Orgânico

Os dejetos suínos são convertíveis em adubo orgânico de alta qualidade por meio do processo de compostagem. Esse adubo enriquece o solo com nutrientes essenciais e matéria orgânica. Pode ser aplicado nas culturas da propriedade ou até mesmo vendido como um subproduto.

Irrigação

A água residual dos dejetos suínos pode ser tratada e usada para irrigar culturas. Isso economiza água potável e fornece nutrientes naturais às plantas.

Biofertilizantes

São produtos do tratamento de dejetos suínos, ricos em nutrientes essenciais e microrganismos benéficos. Melhoram o solo e estimulam o desenvolvimento das plantas.

Controle de erosão

Podem ser usados para criar uma cobertura protetora que reduz a erosão do solo. Isso minimiza o desgaste do solo devido à ação da água e do vento, contribuindo para a conservação do solo.

Dúvidas frequentes sobre dejeto suíno

Para aprofundar seus conhecimentos sobre o tema, abordaremos a seguir algumas das perguntas frequentes relacionadas aos dejetos suínos.

Qual o principal problema em esterco de suíno?

Os dejetos suínos provocam e agravam sérios problemas ambientais quando não recebem o tratamento adequado. Isso inclui principalmente a contaminação do solo e dos recursos hídricos pelo excesso de nutrientes, especialmente nitrogênio e fósforo. Quando acumulados em grandes quantidades, esses elementos podem comprometer a qualidade da água e afetar o equilíbrio dos ecossistemas.

Quantos litros de dejeto um suíno produz por dia?

Conforme publicações mais recentes da Embrapa sobre gestão da água na suinocultura, os índices de consumo de água e geração de dejetos vêm sendo atualizados para acompanhar a evolução tecnológica das granjas brasileiras. Ainda assim, a estimativa de que cada litro de água consumido resulte em aproximadamente 0,5 a 0,6 litro de dejetos continua sendo uma referência amplamente utilizada para o dimensionamento dos sistemas de armazenamento e tratamento.

Vamos calcular com base no exemplo dado:

  • 1.000 suínos em terminação;
  • Cada animal consome em média 8,3 L de água por dia.

Isso significa que a esterqueira deve receber em média aproximadamente 4.500 L/dia, ou 4,5 m³ por dia.

Assim, se cada suíno consome 8,3 litros de água por dia, a quantidade de dejetos produzida por cada suíno diariamente seria entre 4,15 e 4,98 litros (considerando a média de 0,5 a 0,6 litros de dejetos por litro de água consumido).

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A suinocultura é uma indústria multifacetada e dinâmica, constantemente evoluindo para atender às demandas crescentes e promover a sustentabilidade. Neste contexto, nosso blog ajuda você a se manter atualizado e informado sobre as mais recentes tendências e práticas do setor. Para acompanhar os principais movimentos do mercado e entender os desafios e oportunidades da atividade, recomendamos a leitura do artigo: Perspectivas de mercado para a suinocultura brasileira.

Se o seu objetivo é melhorar os resultados produtivos da granja por meio da alimentação dos animais, confira também o conteúdo Ração para suínos: boas práticas para uma nutrição saudável, que apresenta orientações sobre manejo nutricional e qualidade da alimentação.

Além disso, para entender como a sanidade impacta a rentabilidade e a sustentabilidade da produção, vale a pena conhecer o artigo Biosseguridade na suinocultura: a base para uma produção sustentável, rentável e competitiva.

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