Perspectivas de mercado para a suinocultura brasileira

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A carne suína se destaca como uma das opções mais completas e nutritivas para uma alimentação saudável. Rica em proteínas, aminoácidos essenciais e vitaminas, ainda apresenta um baixo teor de gordura. Em uma porção de 100g, você consome 29g de proteína e 16g de gordura, ou seja, mais saúde no seu prato.

A suinocultura nacional não só é responsável por abastecer o mercado interno com cortes in natura ou embutidos, como também exporta para mais de 127 países.

Somos o 4º maior produtor e exportador do mundo. Essa robustez contribui para a segurança alimentar nacional e internacional, alimentando inúmeras pessoas ao redor do mundo, além da geração de renda de forma direta e indireta para cerca de 4 milhões de pessoas nas regiões das indústrias suínas e avícolas.

Com o apoio de associações, como a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) e a ABCS (Associação Brasileira dos Criadores de Suínos), o mercado da suinocultura se tornou cada vez mais transparente, cujos números mensurados apoiam a melhoria contínua da atividade.

No artigo de hoje, vamos explorar os principais destaques do mercado suinocultor, analisar como o Brasil se posiciona neste cenário global e apresentar dados essenciais sobre o presente e o futuro dessa atividade, vital para a economia do agronegócio nacional.

Quais foram os principais destaques de mercado de suinocultura em 2025?

    A produção suína moderna está em um momento de transformação, com o desafio de seguir aumentando a eficiência produtiva, sem comprometer os princípios de bem-estar animal e sustentabilidade ambiental. Em 2025, o mercado da suinocultura no Brasil e no mundo se destacou por diversos fatores. A seguir, tratamos dos mais relevantes:

    • Qualidade e segurança do alimento: As empresas produtoras e processadoras de proteína animal do Brasil cumprem uma série de normas e requisitos para garantir a total biosseguridade e qualidade dos produtos. No Brasil, o Serviço de Inspeção Federal (SIF), vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária, é o órgão oficial responsável pela fiscalização do cumprimento das normas de qualidade no processo produtivo, e contabiliza 86 unidades ativas para abate de suínos;
    • Custos e eficiência na produção: Compreender a composição dos custos é essencial para garantir a gestão, a eficiência e a sustentabilidade do negócio.

    A indústria suinocultora no Brasil está concentrada em operações de integração e cooperativismo. Em um típico contrato, a agroindústria contratante fornece ração, genética e orientação técnica, e é proprietária dos suínos para reprodução e para engorda, que serão abatidos (o que representa de 80% a 90% dos custos de produção no elo agropecuário), enquanto os produtores provêm instalações e equipamentos, mão de obra, manutenção, energia e manejo dos dejetos.

    Quando tratamos das suinocultoras independentes, conforme apresentado na Tabela 01 (2024), o maior componente de custo é a ração, que corresponde a 73,16% do total, refletindo a importância da alimentação no desenvolvimento saudável e produtivo dos animais.

    Isso reflete a alta dependência dos insumos alimentares, como milho e soja, que são impactados pelas variações de mercado, condições climáticas e custos de transporte.

    Outros custos relevantes, como genética (2,32%), sanidade (2,18%) e manutenção e energia, reforçam o compromisso com a necessidade de eficiência e qualidade.

    Tabela 01: Composição do custo de produção de suínos em produção independente

    ITEM DO CUSTO2024 (R$/KG VIVO)%
    Ração4,3273,16
    Custo de Capital0,427,19
    Depreciação0,223,73
    Mão de Obra0,172,85
    Transporte0,162,75
    Genética0,142,32
    Sanidade0,132,18
    Funrural0,111,80
    Outros0,101,66
    Eletricidade/Cama/Calefação0,071,17
    Manutenção /Seguro0,071,17
    TOTAL5,90100,00

    Fonte: Embrapa Suínos e Aves: Santa Catarina, ciclo completo com 750 matrizes, peso 125 kg (2024)

    Em 2025, o custo de produção do kg do suíno vivo variou entre R$ 6,00 e R$ 6,40, enquanto a receita média do kg do suíno vivo foi de R$ 8,60, uma margem de aproximadamente 28%.

    Em um estudo recente da Embrapa Suínos e Aves (2024), foi destacado que investimentos em genética de suínos, especialmente no aprimoramento das linhagens para eficiência alimentar e resistência a doenças, têm gerado um impacto positivo no desempenho produtivo e na redução de custos.

    • Bem-estar animal e sustentabilidade: À medida que o mercado evolui, a sustentabilidade e o bem-estar animal tornaram-se questões centrais na produção suína. A pauta bem-estar animal é um tema antigo para os produtores brasileiros, inclusive baseada em legislação. A primeira data de 1934 e, desde então, uma série de evoluções normativas foram estabelecidas, da granja até o abate. Podemos citar como exemplo a Instrução Normativa nº 56/2008 do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que estabelece procedimentos e recomendações de boas práticas para o bem-estar dos animais; a Instrução Normativa nº 113/2020, específica para o manejo nas granjas de suínos; e, ainda, a Portaria nº 864/2023, com normas para manejo técnico pré-abate/abate humanitário.

    A ABPA tem incentivado as boas práticas de bem-estar animal, com programas de certificação que visam garantir que os animais sejam tratados de maneira ética, sem comprometer a qualidade da carne. Isso inclui a redução do uso de antibióticos e a implementação de sistemas de monitoramento eletrônico para o conforto dos animais. Tal fato contribui para uma maior aceitação dos produtos no mercado externo, onde os consumidores são cada vez mais exigentes com relação a esses fatores.

    Além disso, as empresas suinocultoras também investem em tecnologias para redução de impactos ambientais. Algumas iniciativas são o tratamento de resíduos e a utilização de energias renováveis, como biogás proveniente dos resíduos da suinocultura. Conforme levantamento da ABPA, em 2024, 73% das empresas adotam tecnologias para utilização de biomassa (incluindo biodigestores e outros).

    • Consumo de carne suína: Em 2025, o consumo de carne suína no mundo alcançou 32 kg por habitante. No cenário global, a carne suína continua sendo a proteína animal mais consumida no mundo, com destaque para a Ásia, que responde por mais de 60% do consumo global. Em países como China e Vietnã, a carne suína é a base da alimentação, refletindo uma demanda constante e crescente.

    Segundo a ABPA, o consumo de carne suína no Brasil atingiu cerca de 18,7 kg por habitante/ano, o que representa uma média estável quando comparada aos anos anteriores, mas ainda abaixo de mercados como o da China, onde o consumo per capita ultrapassa os 40 kg por habitante e mantém uma trajetória crescente, apesar das flutuações econômicas.

    Qual foi a importância do Brasil na suinocultura em 2025?

    A suinocultura brasileira atravessa um dos períodos mais promissores da última década. Depois de anos marcados por margens apertadas e volatilidade nos custos, o setor vive uma fase de alívio, resultado direto da queda nos preços dos principais insumos da ração (como milho e farelo de soja), e da conquista de novos mercados internacionais, destinados à exportação de carne suína, industrializados, banha e miúdos.

    A produção de carne suína nacional está projetada para alcançar 5,5 milhões de toneladas em 2025, o que representa um avanço de 2,2% sobre o ano anterior, segundo dados da ABPA. 

    histórico da produção brasileira de carne suína

    Figura 01: Histórico da produção brasileira de carne suína (milhões ton) e valor bruto da rodução (Bilhões R$). Fonte: ABPA e MAPA

    Este desempenho marca um consecutivo crescimento para a suinocultura nacional, e a base para esse crescimento é sustentada pelo maior plantel de matrizes já registrado no país, com mais de 2 milhões de cabeças em 2025.

    Outra vantagem competitiva é fruto de anos de investimento em tecnologia voltada para a alta produtividade no campo e autossuficiência na produção de grãos, garantindo o abastecimento interno e excedentes para exportação.

    Segundo a ABCS, o Brasil manteve-se como um dos maiores exportadores de proteína suína do mundo em 2025, com 1,49 milhão de toneladas de carne suína entre produtos in natura e processados, um crescimento de 10,4% em relação ao ano anterior, impulsionado pela forte demanda por países como China, Filipinas, Japão e Chile. A receita, de US$ 3,294 bilhões registrados entre janeiro e novembro de 2025, contra US$ 2,774 bilhões no mesmo período de 2024, representa alta acumulada de 18,7%.

    Assim, Filipinas, Japão e Coreia do Sul estão entre os principais mercados onde a carne suína brasileira vem ampliando espaço. As Filipinas, que passam por episódios de Peste Suína Africana, hoje representam 20% das exportações brasileiras (113.000 t), ultrapassando a China.

    Além disso, o Brasil também obteve ganhos expressivos no Japão e no México. Tal desconcentração da pauta exportadora traz maior segurança e é vista como um dos avanços mais relevantes do setor nos últimos anos, uma vez que a China já representou mais de 50% dos nossos embarques há poucos anos.

    O que esperar do mercado de suinocultura em 2026?

      As perspectivas para 2026 seguem otimistas, com um crescimento contínuo tanto na produção quanto nas exportações. Com a tecnologia, a genética suína e novos mercados emergentes, o Brasil deve consolidar sua posição como líder global na produção e exportação de carne suína.

      A ABPA aponta para um novo recorde na produção, podendo atingir 5,7 milhões de toneladas, 2,7% acima do previsto para 2025. As exportações devem crescer até 5% em 2026, alcançando 1,55 milhão de toneladas.

      Em relação às tendências de consumo, observa-se uma preferência crescente por cortes mais magros, como o lombo, e o aumento da procura por produtos processados e prontos para consumo, como presuntos e bacon. Além disso, a sustentabilidade e os produtos livres de antibióticos continuam sendo uma demanda importante no mercado, com os consumidores cada vez mais conscientes sobre a origem e a qualidade da carne que consomem. No mercado interno, espera-se que o consumo per capita aumente para 19,5 kg por pessoa.

      O setor continuará a investir em sustentabilidade e bem-estar animal, adotando práticas mais éticas e tecnologias sustentáveis, além de buscar inovações para otimizar a eficiência produtiva e reduzir custos.

      Como se preparar para o que vem por aí?

      Embora o setor de suinocultura esteja experimentando margens favoráveis, ele é intrinsecamente volátil, e o aumento da produção deve ser equilibrado com a expansão da demanda, para evitar desequilíbrios no mercado, como queda de preços e a saída de produtores menos tecnificados.

      Especialistas alertam que o aumento rápido da produção, sem a devida atenção ao crescimento da demanda, pode levar a ciclos de ajustes dolorosos no mercado, como redução de preços e saída de produtores menos tecnificados. Como a suinocultura tem um ciclo produtivo longo, esses ajustes tendem a ser mais lentos e complicados.

      A crescente competição por insumos, como o milho, destaca a importância da eficiência produtiva e da inovação tecnológica para manter os custos sob controle.

      Após o pico de demanda da Peste Suína Africana, entre 2019 e 2020, a China tem reduzido gradualmente suas compras, o que tem levado o Brasil a buscar novos mercados e diversificar seus destinos de exportação, o que diminui a dependência de um único país e traz mais estabilidade ao setor.

      O uso de tecnologias digitais e gestão eficiente será essencial para garantir a competitividade a longo prazo, mantendo o equilíbrio entre crescimento e prudência.

      O produtor vive um momento de margens confortáveis, mas não pode perder de vista o aprendizado das crises anteriores. O comportamento do câmbio, o ritmo de crescimento das exportações e a evolução dos custos de produção, especialmente no segundo semestre de 2026, serão determinantes para manter a rentabilidade. Gestão, eficiência e governança são essenciais para atravessar os ciclos com estabilidade e sustentabilidade da produção.

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