A inclusão de adsorvente de micotoxinas em dietas bovinas aumenta a rentabilidade das propriedades

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A intensificação da produção de bovinos de corte ocorrida nos últimos anos, tanto a pasto quanto confinados, somente é possível por meio do fornecimento de grãos e/ou seus subprodutos. Outra mudança observada é o aumento no número dos confinamentos de animais mais jovens, o que acaba acarretando em um maior período de fornecimento de ração aos rebanhos. Com isso, expomos as criações a diversos riscos que podem comprometer o desempenho ou até mesmo causar a morte. Tratando-se de fatores nutricionais, destacamos os problemas causados pelas micotoxinas.

Essas substâncias tóxicas são produzidas por fungos que podem estar presentes em todos os processos de produção, desde o pasto ou lavoura até o armazenamento e processamento dos grãos. Possuem propriedades que afetam diretamente o desempenho dos animais, podendo interferir desde o consumo de matéria seca e até causar graves lesões em diversos órgãos do organismo, levando ao óbito.

Para combater os prejuízos causados pelas micotoxinas, há diversos aditivos capazes de neutralizar sua ação por mecanismos de adsorção. A utilização de adsorventes de micotoxinas para bovinos de corte é um assunto relativamente novo, porém os resultados obtidos no campo chamam a atenção de técnicos e produtores.

Todos já ouvimos que os ruminantes são menos suscetíveis a contaminação por microorganismos e suas toxinas, pois as bactérias do rúmen podem degradar esses compostos. Isso em parte é verdade, porém a eficiência da degradação dessas substâncias depende de vários fatores como: pH ruminal, categoria animal, grau de contaminação dos alimentos, tipo de micotoxinas, quantidade ingerida e interação entre os diversos tipos, período de exposição a dieta contaminada entre outros.

Quantas vezes durante o confinamento não vemos oscilações de consumo de ração, surtos de diarreia ou alterações nas fezes, lotes com animais apáticos, arrepiados e em alguns casos até a morte de algum indivíduo? Em geral, correlacionamos essas alterações as mudanças no clima, chuvas ou problemas sanitários. Porém, quando começamos a estudar os efeitos das micotoxinas nos ruminantes, podemos ligar os pontos e responder muitos desses problemas identificados no campo.

A compilação de diversas análises de alimentos utilizados nas dietas de animais mostrou que 99% das amostras apresentavam contaminação e mais de 60% tinham de dois a cinco tipos diferentes de micotoxinas. Isso ocorre pela fácil proliferação de microorganismos por diversos ambientes.

Locais de armazenagem úmidos, instalações inadequadas, silos mal compactados ou com furos e rasgos nas lonas, falta de manutenção e limpeza dos equipamentos utilizados no processamento da dieta, tornam o ambiente propicio para o desenvolvimento de fungos. Outros estudos mostram que a presença desses microrganismos nas lavouras faz com que os grãos cheguem aos depósitos já contaminados. Nesse caso, mesmo com bom manejo de armazenamento e processamento, a contaminação é irreversível.

As principais micotoxinas associadas com alimentos incluem aflatoxina, vomitoxina (também chamada de deoxinivalenol ou DON), fumonisina, T2, zearalenona e ocratoxina. Os problemas relacionados à presença dessas toxinas na dieta de ruminantes variam desde redução de consumo de alimento, e ocasionam as reações já citadas que prejudicam a rentabilidade das propriedades e prejudicam o bem estar do rebanho.

É por isso que recomendamos a utilização preventiva do adsorvente de micotoxinas nas dietas, pois a probabilidade do alimento estar contaminado é muito alta. Esse aditivo funciona como uma esponja que atrai e adere em sua estrutura as toxinas presentes no alimento, evitando que sejam absorvidas e causem danos ao animal.

Existem atualmente no mercado diversos tipos de produtos que cumprem essa função, os quais podem ser subdivididos em duas categorias principais considerando seus métodos: aqueles com base formada de silicatos e argilas, que atuam por diferença de cargas elétricas, e os compostos por parede celular de leveduras e algas que possuem poder de seleção e adsorção. Em ambas situações, uma vez aderidas, as micotoxinas são neutralizadas e tornam-se indisponíveis para a absorção pelo o animal.

Há algum tempo, muitos pecuaristas estão utilizando subprodutos de cereais nas dietas oferecidas aos animais por conta da baixa oferta e alto custo dos insumos. Em algumas regiões quando chove muito na época da colheita, há grande oferta de soja “ardida” e resíduos da agroindústria a preços competitivos. Nessas condições adversas em que se encontram essas matérias primas, a possibilidade de contaminação por micotoxinas é muito alta.

A utilização desse material na ração aumenta a ingestão de micotoxinas, tornando a utilização do adsorvente fundamental para prevenir os problemas já descritos acima. Quando há inclusão desses produtos na alimentação sem as devidas precauções é comum observar variações de consumo, que ocasionam a queda no desempenho.

Outro fator importante que observamos, além da prevenção de distúrbios e segurança alimentar, é o aumento no ganho de peso dos animais. Na tese de mestrado realizada por Marson, B. em 2014 na UEL – Universidade Estadual de Londrina, foi relatado o acréscimo de 139 gramas no ganho de peso médio diário por animal do grupo que recebeu 10 gr/dia do adsorvente de micotoxinas em relação ao grupo controle.

Costumamos dizer que a inclusão do adsorvente na ração de bovinos funciona como um seguro, pois muitos sinais da presença dessas substâncias são invisíveis aos olhos, mas causam muitos prejuízos no sistema de produção.

Quanto maior a intensificação dos sistemas de produção, maiores são as adversidades às quais os animais são expostos. Porém, o emprego pontual de ferramentas de manejo somados à utilização correta de aditivos é capaz de minimizar possíveis riscos nutricionais e tornar a atividade pecuária mais lucrativa e rentável.

Escrito por Fernando Henrique Kamada | Especialista em Alimentação e Nutrição de Ruminantes e Assistente técnico na empresa União Suplementação Animal.

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