Cria, recria e engorda de bovinos: entenda as principais diferenças

7 min de leitura

Você sabe quais são as diferenças entre cria, recria e engorda de bovinos? Neste artigo você conhecerá as particularidades dessas fases de criação, mas antes do assunto ser abordado, vamos contextualizar sobre uma das atividades econômicas mais representativas e importantes no Brasil: a pecuária! Aproveite a leitura!

Com o passar dos anos, devido ao aumento da população consumidora e, consequentemente, pela alta demanda da produção de alimentos de origem animal, a pecuária cresceu e continua crescendo significativamente, contribuindo com o crescimento econômico do país.

Para atender as demandas é necessário que as fases do sistema de criação de bovinos de corte sejam realizadas de forma adequada e cada vez mais eficientes. No tópico a seguir você saberá melhor as diferenças de cada fase. Continue nos acompanhando!

Cria, recria e engorda, qual a diferença?

Nos sistemas de produção de bovinos de corte são três fases envolvidas: cria, recria e engorda.

Fase de cria: nesta fase consideram-se os animais desde a reprodução e o crescimento do bezerro, seja ela fêmea ou macho, até o desmame, tendo um tempo de vida entre seis e oito meses de idade.

Fase de recria: inicia-se com o desmame dos animais até o começo da reprodução das fêmeas ou até o início do período de engorda dos machos, considerado essa fase a de maior tempo, dentro do ciclo do sistema de produção de bovinos.

A engorda: fase esta que se inicia após a recria, ocorre quando os animais são destinados a terminação, o tempo dessa fase vai depender de diversas situações e das tecnologias utilizadas. Nesta fase, geralmente, o boi gordo precisa atingir o peso de 18 arrobas, quanto menos tempo o animal levar para atingir esse peso, melhor.

Para fase de engorda é preciso levar em conta uma série de variáveis, como a raça do animal, qualidade do pasto, suplementação, bem-estar e outros fatores. Um dos fatores que também merece destaque são os tipos de criação, por exemplo, em sistemas mais tradicionais, quando o boi é criado a pasto, o tempo de engorda é maior, já em confinamento, esse período diminui consideravelmente.

Normalmente, no Brasil, o produtor da mais atenção a uso de tecnologias na fase de engorda, devido ser o momento que mais está próximo do abate e que é possível enxergar retorno financeiro em curto prazo.

Focar e usar mais estratégias somente na fase de terminação e não considerar as fases anteriores, que também são importantes, não é aconselhável, sabe por quê? Pois as fases anteriores a terminação influenciam diretamente na precocidade, desempenho e rentabilidade do sistema produtivo.

É fundamental que o produtor dê destaque a todos os períodos de criação, que são: a cria, recria e engorda, realizando todo o controle zootécnico e manejos alimentares, sanitários etc.

Como funciona a fase de cria?

A fase de cria pode ser a de maior atenção e uso de tecnologias, pois é a fase que gera maior demanda na identificação de melhores animais, os quais serão destinados a reprodução, na geração de bezerros responsáveis pela manutenção da recria e engorda.

Um bezerro sadio, bem desenvolvido e com peso maior ao desmame é o que irá influenciar no sucesso das fases seguintes desse animal, devendo este ser o objetivo dos criadores de bovino de corte, dando atenção a saúde, manutenção do escore corporal e índices zootécnicos de suas matrizes e reprodutores.

Para uma matriz ser considerada boa e de qualidade dentro de um sistema de produção de vacas de corte é tido como objetivo principal o desmame de um bezerro/ano/matriz. No entanto, para que isso seja alcançado, essas fêmeas precisam estar bem nutridas, e isso só é alcançado se o solo estiver nutrido e a pastagem esteja respondendo em produtividade, em qualidade e quantidade para esses animais.

Em gado de corte as estações de acasalamento, parição e desmame devem ser definidas para aumentar a eficiência reprodutiva das matrizes com intuito de coincidir a época de maiores exigências nutricionais das vacas com maior oferta de forragem em quantidade e qualidade.

O tempo gestacional fixo da vaca é de 280 dias, assim, para que ela consiga produzir o ideal de um bezerro por ano é necessário que esta vaca esteja apta a conceber novamente em até no máximo 85 dias após o parto (280 + 85 = 365 dias). Pensando nisso, as chances de uma vaca repetir a prenhez são maiores quanto mais cedo a matriz parir, levando em conta a época pré-estabelecida dentro do sistema produtivo.

A fertilidade do rebanho é, portanto, o fator principal na eficiência produtiva de vacas de corte e extremamente influenciado por nutrição, sanidade, manejo, fertilidade individual e relação de touros, entre outros fatores.

O que caracteriza a fase de recria?

Iniciando no final do desmame até a fase em que o novilho é destinado a terminação, a fase recebe o nome de recria.

No Brasil essa é a fase que mais tem levado tempo na pecuária, principalmente nos sistemas mais extensivos ou tradicionais de produção, podendo durar até trinta meses em animais que são abatidos por volta de 4 anos.

Quando é feito o uso de tecnologia e sistemas mais intensivos, esse tempo é reduzido para um período de 10 a 12 meses na produção de novilhos precoces.

Como funciona a recria?

O potencial genético do bezerro (através da seleção para precocidade de matrizes e de touros), habilidade materna da vaca (não podendo ser selecionada através da alta produção de leite, pois os teores nutricionais das pastagens podem não contribuir para as condições corporais das vacas, refletindo em índices reprodutivos ineficientes) e os nutrientes oferecidos aos animais são os fatores determinantes para o ganho de peso dos bezerros na fase de recria.

O tempo para o abate do animal é influenciado pelo peso do bezerro, quanto mais pesado for ao desmame, menor será o tempo para o animal chegar à fase de terminação e maior as chances de a fêmea entrar em reprodução, se a nutrição não for um fator limitante no pós-desmame.

Sendo assim, são os diferentes manejos de suplementação que irão influenciar o tempo de abate dos bovinos de corte submetidos em pastagens tropicais.

Realizar confinamento na fase de recria é o manejo mais utilizado para conseguir abater animais com 13 a 15 meses. Para abates com 17 a 18 meses é preciso utilizar suplementação múltipla na 1ª seca + pasto, suplementação múltipla na 1ª água + pasto.

Um período maior de recria para o abate ocorrer por volta de 22 a 26 meses é necessário fazer suplementação múltipla na 1ª seca + pasto, suplementação mineral na 1ª água + pasto e a terminação em confinamento ou em semiconfinamento na 2ª seca.

Já em sistemas de produção mais tardio, realizando suplementação múltipla na 1ª seca + pasto, suplementação mineral na 1ª água + pasto, suplementação múltipla na 2ª seca + pasto, suplementação mineral na 2ª água + pasto e suplementação múltipla na 3ª seca para serem abatidos por volta de 32 a 36 meses.

O tempo de engorda é dependente de alguns fatores

Em sistema de produção de carne bovina a pasto, só é possível reduzir a idade de abate se houver aumento na capacidade de suporte das pastagens, melhora nas taxas de natalidade e precocidade produtiva, relacionado a acabamento rápido e menor idade ao início da vida reprodutiva.

No entanto, as pastagens tropicais têm suas produtividades limitadas estacionalmente, cerca de 80% são no período das águas, onde tem aumento tanto quantitativo quanto qualitativo na produção de biomassa. Mas a baixa disponibilidade de forragem no inverno devido a falta de chuva e mudanças do fotoperíodo resulta em perda de aproximadamente 25% da produção animal, conferindo assim aumento da idade de abate, e causando prejuízos a qualidade da carne e rentabilidade do sistema.

A fase de engorda quando comparada a cria e recria pode ser a mais curta na produção de carne bovina, desde que seja feito o uso de tecnologias para intensificar a produção e trazer retorno mais rápido do que foi investido.

Sob pastejo, o sistema de produção pode oferecer suplementos para dois objetivos: pequena quantidade para suprir os nutrientes mais limitantes, gerando mantença ou pequeno ganho sob condição de pastagem pobre; grandes quantidades (equivalentes a até 0,8-1,0% do PV) para melhorar a qualidade, proveniente de novilhos jovens.

Mas é importante lembrar que em pastagem, o tempo de abate dos animais não está sujeito apenas a disponibilidade de alimentos, mas também estão dependentes da capacidade de os animais responderem ao uso de suplementação e tecnologias de manejo alimentares, possuírem genética, saúde e não terem sidos submetidos a restrições alimentares na recria.

Quanto tempo dura a fase de engorda?

Estudos mostram que bovinos criados submetidos a semiconfinamento na terminação de novilhos cruzados mantidos em pastagem de Tifton 85, sob taxa de lotação média de 9,3 UA/ha (chegando a 13 UA/ha durante período das águas), ganharam diariamente em média 1.200 kg, alcançando a produção de 1.310 kg/ha em 109 dias.

No Brasil o uso de confinamentos é de curta duração, ficando em torno de 70 a 100 dias e com peso de abate acima de 16 arrobas (480 kg PV) para machos e, de 12 arrobas (360 kg PV) paras as fêmeas.

A verdade é que não há pesos ou idades ideais para um bovino entrar em confinamento ou ser abatido. Mas de maneira geral o que irá determinar o seu manejo nutricional e qual o método mais rápido de se conseguir animais precoces (já que existem vários influenciadores no sistema como sexo, raça, nutrição, manejo etc.), é ter um profissional da área de ciências agrárias (zootecnista, agrônomo, veterinário) da sua região para orientação.

Desta forma, a rentabilidade e a rotatividade da propriedade rural podem ser maiores, sem contar os benefícios causados ao meio ambiente, pois segundo estudos, quanto mais cedo um animal é abatido, como por exemplo, redução da idade de abate dos bovinos de 39 meses para 29 meses, decorrente principalmente do uso de suplementos, ocorre simultaneamente a redução da produção de metano na ordem de 30%, e ainda sendo mais otimista, essa redução pode chegar até 50% quando se eleva.

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FONTES:

SENAR

Produção e Manejo de Bovinos de Corte.

Cenários para a pecuária de corte amazônica.

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