Estresse térmico em bovinos: como identificar e diminuir

7 min de leitura

O estresse térmico em bovinos provoca desconforto devido a temperaturas extremas, essa alteração no organismo dos animais causa grandes impactos econômicos na produção. Entenda mais sobre o estresse térmico na produção de bovinos. Aproveite o conteúdo!

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O que é estresse térmico em bovinos?

“Bem-estar de um indivíduo é seu estado em relação às tentativas de se adaptar ao seu ambiente” é exatamente a definição dada pelo pesquisador Broom para o bem-estar animal. 

Para que o animal seja considerado dentro de seu bem-estar, seja dentro ou fora da porteira, deve-se levar em consideração 5 fatores: 

  1. Estar livre de fome e sede; 
  2. Livre de desconforto; 
  3. Livre de dor ferimentos e doenças;
  4. Livre para expressar seu comportamento natural;
  5. E livre de medo e angústia.

Todos esses fatores podem facilmente ser manejados pelo homem, exceto o livre de desconforto que pode ser ou não dependente da variável clima. Esta variável pode elevar as perdas econômicas em animais de produção homeotérmicos (animais que conseguem manter sua temperatura corporal).

A temperatura ambiental elevada, a umidade do ar e a radiação solar direta são as principais variáveis climáticas que tem gerado desconforto fisiológico nos animais, fazendo com que eles tomem medidas comportamentais e fisiológicas para manter a temperatura corporal diante de tal estresse, o que comumente, acaba resultando na redução no desempenho produtivo.

Dessa forma, podemos definir o estresse calórico como uma força exercida pelo ambiente térmico sobre um organismo, refletindo numa reação fisiológica na mesma intensidade da força aplicada e a capacidade do organismo em retardar os desvios causados pela força. 

Consequentemente, esse tipo de estresse, o calórico, principalmente em regiões tropicais tem sido uma importante fonte de perda econômica no setor da pecuária, resultando em efeitos adversos sobre a produção de leite, carne, fisiologia da produção, reprodução, mortalidade de bezerros e saúde do úbere. 

Em que situações o animal entra em estresse térmico?

vaca bebendo água.
Vaca bebendo água em cocho.

Para poder proporcionar conforto térmico para os animais de produção é importante que se tenha conhecimento das situações que promovem o desconforto, é indicado fazer uso de técnicas que assegurem melhores condições térmicas no ambiente, pois cada espécie exige condições específicas para melhorar o desempenho animal.

No Brasil, o estresse térmico animal é um dos fatores mais limitantes para a manutenção do bem-estar dos animais de produção, ocorrendo tanto por calor quanto pelo frio. Animais em situações de desconforto térmico refletem em comprometimento de desempenho e acarretará prejuízos de caráter econômico ao sistema de produção.

Com o objetivo de melhorar os índices zootécnicos para aptidão leiteira foram introduzidas raças de origem de clima temperado (animais mais produtivos) no Brasil (clima tropical). Embora no país tenha animais melhores adaptados ao clima, com maior rusticidade, ainda assim a produtividade é baixa. No entanto, o problema de se introduzir os animais de origem europeia é a falta de adaptabilidade ao clima, resultando em alterações fisiológicas e comportamentais, o que acaba causando uma queda na produtividade. 

Para as raças bovinas com aptidão de carne existe uma maior adaptabilidade ao clima tropical, porém, em casos extremos ainda se observa casos de estresse térmico pelo calor ou frio.

Diante disso, podemos entender que o estresse térmico em bovinos advém do momento em que o animal compreende que ocorreu uma variação de temperatura do ambiente, ultrapassando os limites máximos e mínimos de termotolerância, produzindo respostas como defesa biológica ao estímulo estressante, que por sua vez resultará em consequências da resposta ao estresse.

A situação em que o animal não precisa fazer o uso de sua energia metabólica para regular sua temperatura corporal é denominado estado de homeotermia, ou seja, relação com sua termoneutralidade ou conforto térmico. Quando isso ocorre, o animal tem a capacidade de perder o calor para o ambiente da mesma forma que produz, sem comprometer sua produção, direcionando sua energia para outras funções do organismo, o que lhe permite não impactar seu desempenho produtivo.

O conforto térmico possui três faixas de temperatura, sendo elas: o estresse por frio (hipotermia), a homeotermia (conforto térmico) e o estresse pelo calor (hipertermia), como ilustrado na figura 1. 

As variações observadas de temperatura dependem da taxa metabólica de cada bovino, o que pode ou não ser influenciada pela espécie, idade, raça, ingestão de alimentos, alojamento, manejo, adaptação, entre outros.

Tabela sobre graus de estresse térmico.

Algumas raças (fazendo a distinção dos bovinos por Bos taurus e os Bos indicus) apresentam limites de temperatura do ambiente para o conforto térmico, variando de -1°C até 27°C, devido as suas adaptações de regiões de origem, como podemos observar no Quadro 1.

Tabela sobre graus de estresse térmico.

Quais fatores podem causar estresse em animais de produção?

A maior produção de calor observado em ruminantes pode ser originada através da digestão de alimentos contendo forragens quando comparados a dietas contendo alimentos ricos em concentrado, resultando em redução da ingestão de volumoso (aproximadamente 25% da ingestão de matéria seca) em relação à do concentrado e, ingestão de água. 

Fatores ambientais, fisiológicos, clínicos, comportamentais e produtivos são indicadores de estresse calórico:

Ambientais

Não só temperatura, mas umidade do ar também deve ser levada em consideração, pois ambiente muito quente e umidade baixa reflete em mecanismos evaporativos mais rapidamente, gerando irritação cutânea e desidratação. Já em ambientes com umidade relativa alta a termólise do animal é prejudicada, resultando em aumento do estresse pelo calor.

Fisiológicos

Estresse térmico em vacas de leite pode ser observado quando há o aumento da produção de leite, o que resulta em geração de calor no fígado e nas glândulas mamárias de forma acentuada. 

Havendo elevação na produção de leite, as vacas ficam mais propensas a um aumento da temperatura ambiente, acima da zona térmica neutra, isso, diminui a secreção de tiroxina, reduzindo assim a formação de calor, porém, junto a esse mecanismo de defesa ocorre a redução da produção de leite, pois, a tiroxina é via comum para ambos os eventos.

 Os bovinos de leite são bem adaptados a baixas temperaturas por longos períodos, desde que as necessidades energéticas sejam supridas por meio de fornecimento suficiente de alimentos. Temperatura na faixa de zero graus não é observado redução na capacidade de produção de leite.

Clínicos 

As mudanças de temperatura influenciam de forma particular o sistema sanguíneo, o que resulta em indicadores das respostas fisiológicas. O estresse calórico resulta em mudanças quantitativas e morfológicas nas células sanguíneas, com variações nos valores do hematócrito – número de leucócitos circulantes – conteúdo de eritrócitos e teor de hemoglobina no eritrócito.

Comportamentais e produtivos

No período da noite os animais procuram ficar em áreas que não são cobertas e afastadas uns dos outros para que ocorra a dissipação de calor para o meio ambiente. 

Estudos mostram que temperaturas altas reduzem a frequência de alimentação dos animais em pastejo nas horas mais quentes do dia, diminuindo o início do pico de procura à tarde e aumentam a procura nas primeiras horas da manhã.

Quando confinados, os bovinos têm um padrão de alimento muito comum, sendo em momentos principais: início da manhã e final da tarde.

Como identificar o estresse térmico?

Na figura 1 vimos a existência da zona de conforto térmico dos animais, a temperatura crítica superior (estresse pelo calor) e a temperatura crítica inferior (estresse pelo frio), dessa forma, para verificarmos se os animais estão passando por estresse térmico, basta observarmos respostas comportamentais dos animais de produção. 

Identificamos um animal passando por estresse acima da temperatura crítica superior quando começamos a observar a vasodilatação, aumento da frequência respiratória, diminuição da ingestão de alimentos, aumento da ingestão de água e sudorese nos animais.

Por outro lado, quando o animal passa por estresse abaixo da temperatura crítica inferior já podemos observar que ocorre vasoconstrição, diminuição da frequência respiratória, aumento da ingestão de alimentos e ereção dos pelos.

Mecanismos fisiológicos mais frequentes para perda de calor é aumento da frequência respiratória e da ofegação dos animais, porém, há um gasto energético para que isso ocorra, o que gera aumento da mantença diária de bovinos de leite de 7 para 25%, resultando também em produção de calor.

Quais são os principais efeitos verificados nos animais sob estresse térmico pelo calor?

O estresse térmico animal referente a produção de calor, limita todas as fontes de calor endógeno (consumo de alimento, metabolismo basal e energético), enquanto frequência respiratória, taxa de sudação e temperatura corporal se elevam.

Na tabela 1 é possível verificar as perdas econômicas geradas a partir do estresse térmico com relação a frequência respiratória e temperatura retal dos bovinos.

Tabela sobre graus de estresse térmico.

Essa redução do metabolismo é decorrente da menor produção de calor metabólico em resposta ao estresse, devido a liberação dos hormônios da tireoide (T3 e T4). Os bovinos realizando essas ações ajudam os mecanismos físicos de dissipação de calor para o ambiente por meio de irradiação, condução, convecção e evaporação. 

O estresse térmico em boi ou estresse térmico em vaca altera comportamento animal havendo menor atividade nas horas mais quentes do dia, para a procura de sombra e imersão em água de acordo com os recursos disponíveis no ambiente, além de redução no consumo de alimento.

Nas primeiras horas do dia ou no fim da tarde são observadas atividades mais frequentes do pastejo animal, isso ocorre devido às altas temperaturas diminuírem o tempo de pastejo. No entanto, ao contrário do que se observa no consumo de alimentos, ocorre o aumento da procura por consumo de água nas horas mais quentes do dia, influenciado pelo estresse térmico. 

Consequentemente, devido ao estresse térmico o desempenho animal é prejudicado havendo menor produção de leite ou ganho de peso, pela redução no consumo, bem como pelo gasto energético para dissipação de calor, além de influenciar índices reprodutivos, refletindo em redução na taxa de prenhez.

Dessa forma, fica clara a importância da procura de estratégias que possam promover conforto térmico para bovinos, podendo elas ser desde sombreamento, aspersão, ventilação e até mesmo manejo nutricional quando possível. 

Conhecer a fisiologia e o comportamento animal são de suma importância para se tomar atitudes relacionadas ao sistema produtivo da sua criação. As espécies animais possuem exigências diferenciadas de conforto, devendo essa ser entendidas e respeitadas pelo criador. Dessa forma, é um sistema produtivo em que essas exigências são atendidas, entendidas e respeitadas o retorno econômico é maior do que um sistema que não se tem tal conhecimento.

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