Frango de corte: conheça as principais informações sobre o assunto

9 min de leitura

O que você sabe sobre avicultura de corte e produção de frango de corte? Consegue identificar os frangos pelas raças ou o termo correto seria linhagem? E como funciona, na prática, o dia a dia de uma granja?

Neste artigo, esses e outros pontos serão explicados de forma clara e direta. Se você trabalha ou deseja atuar na área, ou simplesmente quer entender melhor como funciona a produção de frango de corte, continue a leitura e descubra os principais conceitos, processos e práticas do setor.

O que é avicultura de corte?

Antes de escrever sobre um tema como a avicultura de corte, é importante deixar claro seu significado. Na produção animal, quando se fala em corte, quer dizer que a criação é voltada para o abate dos animais e, a partir disso, surge um produto alimentício muito consumido: a carne.

Dito isso, a avicultura de corte é o ramo destinado à criação de aves até que atinjam o peso de abate. Depois disso, a carne é processada e comercializada, chegando às mesas do consumidor final.

Quais aves fazem parte da avicultura de corte?

A avicultura de corte abrange várias aves. O frango é o que tem maior destaque, no entanto, perus, codornas, patos, gansos e avestruzes também fazem parte da área. Neste conteúdo, o foco será o frango de corte.

Vale destacar que existem animais com maior predisposição genética para produção de carne. Esses indivíduos são selecionados para a área de corte, pois apresentam melhores resultados produtivos.

Após anos de estudos na cadeia produtiva, hoje é possível selecionar linhagens específicas para atuar nesse segmento.

Quais são as raças para frango de corte?

A carne de frango é o alimento de origem animal mais consumido no Brasil. Muitos anos de pesquisas e cruzamentos resultaram em avanços significativos no melhoramento genético.

As principais características que um bom frango de corte deve apresentar são:

  • Maior ganho de peso diário;
  • Melhor rendimento de carcaça;
  • Melhor conversão alimentar.

Esses fatores estão aliados a um excelente manejo nutricional, que também evoluiu ao longo dos anos. Dessa forma, torna-se mais fácil selecionar os melhores indivíduos para a produção.

O avanço nos estudos é constante e acompanha as mudanças nos hábitos de consumo. Por isso, hoje existem grupos de animais cada vez mais produtivos.

Diferença entre raça e linhagem

Quando se fala em avicultura moderna, o termo raça não é muito utilizado. Tecnicamente, utiliza-se linhagem, pois os animais passaram por diversos cruzamentos e seleções genéticas ao longo do tempo.

O termo raça é usado para animais puros. Ainda assim, é comum encontrar os dois termos sendo utilizados como sinônimos.

Linhagens de frango de corte

A escolha da linhagem é um dos fatores mais importantes para o sucesso na produção de frangos de corte. Atualmente, existem diferentes grupos genéticos desenvolvidos para atender às exigências do mercado, com foco em desempenho, rendimento e adaptação aos sistemas produtivos. A seguir, conheça as principais linhagens utilizadas na avicultura de corte.

Linhagens convencionais mais utilizadas

  • Ag. Ross;
  • Cobb Vantress;
  • Hybro;
  • Isa Vedette;
  • MPK;
  • Arbor Acres;
  • Avian;
  • Shaver;
  • Hubbard.

Linhagens comerciais nacionais

  • Embrapa 021;
  • S-54;
  • Chester.

Além desses, existem os galetos, que possuem um ciclo mais curto, variando entre 28 e 32 dias. Esses animais são voltados principalmente para exportação e atendem a um perfil específico de mercado, com carcaças menores.

Linhagens de frango caipira

Outro nicho importante é o frango caipira, também conhecido como frango colonial. Nesse sistema, a produção ocorre em menor escala e com crescimento mais lento, levando entre 75 e 90 dias até atingir o peso de abate. Esse tipo de produto possui forte aceitação por consumidores que valorizam características mais tradicionais.

  • Embrapa 021;
  • Caipira Pescoço Pelado;
  • Paraíso Pedrez;
  • Embrapa 041;
  • Frango Gaúcho;
  • Acoblack;
  • Gigante Negro;
  • Pesado Vermelho;
  • Carijó Pesado;
  • Pescoço Pelado;
  • Master Griss;
  • Pesadão Vermelho.

Qual a melhor raça de frango para corte?

A escolha da melhor linhagem depende de uma série de fatores, o que torna essa pergunta mais complexa do que parece inicialmente. É necessário considerar aspectos como o tipo de produção, o sistema de criação adotado, o tempo de abate, a rusticidade dos animais e até mesmo o tipo de alimentação utilizada.

Por isso, não existe uma única resposta correta, já que tudo depende dos objetivos produtivos e das condições disponíveis.

De forma geral, a produção convencional traz como destaques as linhagens Cobb e Ross, amplamente utilizadas no mercado brasileiro. Já na produção caipira, as mais comuns são Carijó e Pescoço Pelado.

Como funciona uma granja de frango de corte?

O avanço genético só se traduz em resultados quando acompanhado de boas condições de criação. Não adianta ter animais com excelente potencial se o ambiente não permitir que ele seja expressado.

Por isso, é fundamental que as granjas ofereçam estrutura e manejo adequados, garantindo condições ideais para o desenvolvimento das aves.

Toda granja deve considerar:

  • Local geográfico das instalações;
  • Higiene;
  • Temperatura;
  • Umidade;
  • Conforto e bem-estar;
  • Biosseguridade;
  • Exigências ambientais.

Além disso, existem diferentes modelos de sistemas produtivos, cada um com características específicas:

  • Sistema convencional;
  • Sistema convencional com pressão positiva;
  • Sistema semi-climatizado;
  • Sistema de pressão negativa.

Estrutura e densidade de alojamento

Os galpões de frango de corte convencionais, em geral, são estruturas extensas, pois abrigam um grande número de animais. Mesmo com várias aves alojadas em um único espaço, é fundamental respeitar a quantidade de frangos por metro quadrado, uma vez que a densidade de alojamento varia de acordo com o tipo de sistema adotado.

Além disso, a temperatura ambiente deve ser rigorosamente controlada, garantindo que as aves permaneçam dentro da zona de conforto térmico, condição essencial para o bom desempenho produtivo.

Orientação do galpão e ventilação

De maneira geral, recomenda-se que o galpão seja construído com orientação Leste-Oeste, com o objetivo de reduzir a incidência direta de luz solar ao longo do dia.

Paralelamente, é importante favorecer a ventilação natural, contribuindo para a manutenção da qualidade do ambiente interno e o equilíbrio das condições térmicas.

Sistemas de climatização

Para a climatização do ambiente, são utilizados ventiladores e exaustores, que auxiliam na circulação e renovação do ar dentro do galpão.

O resfriamento também deve ser considerado, podendo ser realizado por meio de aspersores, nebulizadores ou sistemas de cooling. Esse último consiste em painéis evaporativos que resfriam o ar antes da sua entrada no galpão, utilizando uma área umedecida.

Aquecimento inicial

Ainda dentro do controle ambiental, o aquecimento é um fator essencial nos primeiros dias de vida das aves. Esse processo pode ser realizado por meio de campânulas a gás, aquecedores elétricos ou sistemas a lenha.

O uso de aquecimento é indispensável, principalmente até os primeiros 15 dias de vida, podendo se estender até 21 dias em regiões de clima mais frio.

Uso e manejo de cortinas laterais

No Brasil, a maioria dos galpões tradicionais possui cortinas plásticas laterais, geralmente confeccionadas em polietileno.

Essas cortinas desempenham diversas funções, como permitir a entrada de luz solar, proteger contra a chuva e auxiliar no controle da ventilação, umidade, temperatura e qualidade do ar.

O manejo dessas cortinas deve ser feito de forma adequada, levando em consideração especialmente a idade das aves e as condições ambientais.

Equipamentos de alimentação e hidratação

Para garantir o desenvolvimento adequado dos frangos, é essencial utilizar equipamentos apropriados de alimentação e hidratação.

Entre os bebedouros mais utilizados, estão:

  • Tipo pressão;
  • Pendular;
  • Nipple.

Já os comedouros podem ser:

  • Tipo bandeja;
  • Tubular;
  • Automáticos.

Independentemente do modelo, todos os equipamentos devem estar em perfeito funcionamento, devidamente higienizados e constantemente abastecidos.

Higienização e vazio sanitário

A cada saída de lote, é indispensável realizar a limpeza e a desinfecção completa do galpão. Após esse processo, deve-se respeitar um período mínimo de 10 dias antes da entrada de novas aves.

Esse intervalo é conhecido como vazio sanitário e tem como objetivo reduzir os riscos de contaminação, prevenindo doenças e garantindo melhores resultados produtivos.

Biosseguridade na avicultura de corte

O termo biosseguridade refere-se ao conjunto de medidas e práticas adotadas na criação de aves de corte para impedir, prevenir ou reduzir a entrada e a disseminação de agentes causadores de doenças no aviário.

Essas ações são fundamentais para garantir a segurança dos alimentos, a saúde das aves e o bem-estar dos colaboradores envolvidos na produção.

Quais são as fases de criação de frango de corte?

Do nascimento até a fase de abate, o frango de corte passa por diferentes fases de crescimento. Cada uma delas possui exigências específicas de manejo, alimentação e ambiência, o que exige atenção constante ao longo de todo o ciclo produtivo.

Além disso, o ambiente em que as aves são criadas também precisa ser ajustado conforme o desenvolvimento dos animais. Por esse motivo, o processo produtivo é dividido em quatro fases principais.

Pré-inicial (1 a 7 dias)

Nessa etapa, os frangos ainda são chamados de pintinhos e apresentam grande sensibilidade às condições ambientais. Eles não possuem controle térmico eficiente, ou seja, não conseguem produzir ou manter o próprio calor corporal.

Por esse motivo, é fundamental que o ambiente esteja previamente aquecido antes da chegada dos animais. A temperatura deve permanecer estável, garantindo conforto térmico adequado.

O fornecimento de água e ração deve ser feito em abundância, utilizando equipamentos adequados à idade das aves, facilitando o acesso e estimulando o consumo desde os primeiros dias.

Inicial: (8 a 21 dias)

Durante essa fase, os cuidados ainda são semelhantes aos da fase anterior. Os animais continuam em processo de adaptação, e o desenvolvimento do controle térmico ainda não está completamente estabelecido.

O empenamento, que corresponde à formação das penas, ainda está em desenvolvimento, o que reforça a necessidade de atenção às condições ambientais.

Outro fator importante nesse período é o controle da luminosidade. A iluminação passa a ser manejada de forma estratégica para estimular o consumo de ração, prática que se estende até as fases posteriores.

Crescimento (22 a 35 ou 42 dias)

Na fase de crescimento, a exigência térmica dos animais começa a diminuir. O uso de aquecimento já não é mais necessário, e o foco da produção passa a ser o ganho de peso e a eficiência alimentar.

A alimentação e a água continuam sendo fornecidas à vontade, com dietas específicas voltadas para o desenvolvimento muscular e o desempenho produtivo.

Final (36 a 42 ou 43 a 49 dias)

Essa é a fase de engorda dos animais, em que ocorre o acabamento final antes do abate. Nessa etapa, os frangos se tornam mais sensíveis ao calor, exigindo maior controle da temperatura e da ventilação do ambiente.

É importante ressaltar que, ao longo do ciclo produtivo, as necessidades térmicas dos animais mudam significativamente. Enquanto nas primeiras semanas há necessidade de aquecimento, nas fases finais o resfriamento se torna essencial.

Quais são os principais manejos na criação de frango de corte?

Após entender as fases de desenvolvimento do frango de corte, é importante considerar que os tipos de manejo adotados ao longo do ciclo também tem impacto direto nos resultados da produção. Práticas adequadas garantem melhores condições de ambiente, bem-estar e desempenho das aves, além de contribuir para a qualidade final do produto.

Manejo do ambiente ao longo do ciclo

Em todas as fases de criação, o controle do ambiente é um fator determinante para o sucesso produtivo. A higienização do local deve ser constante, e a manutenção das condições ideais deve ser prioridade.

O controle da temperatura merece atenção especial, uma vez que o frango de corte é altamente sensível às variações térmicas, tanto ao frio quanto ao calor.

Manejo da cama do aviário

A cama do aviário deve ser de boa qualidade, pois tem a função de absorver as fezes e a urina das aves. Seu manejo deve ser realizado de forma periódica, preferencialmente semanalmente, para manter o ambiente seco e confortável.

É fundamental revolver a cama com regularidade, permitindo a circulação de ar entre as partículas e evitando sua compactação. Quando a cama se torna compactada, há prejuízo direto ao bem-estar e à saúde das aves, podendo favorecer o desenvolvimento de problemas sanitários.

O manejo inadequado também pode resultar no acúmulo de amônia no ambiente. A combinação de espaço fechado, temperaturas elevadas e alta concentração de excretas favorece o aumento dos níveis desse gás.

A presença excessiva de amônia prejudica tanto os frangos quanto os trabalhadores, afetando principalmente o sistema respiratório. Por isso, a aeração correta da cama, associada a um sistema eficiente de ventilação do galpão, é a medida mais eficaz para controlar sua concentração e manter a qualidade do ambiente.

Manejo pré-abate

Antes do abate, alguns cuidados são fundamentais para garantir a qualidade do processo e do produto final. Deve-se realizar o jejum alimentar de forma adequada, mantendo o fornecimento de água. Além disso, o manejo no carregamento e transporte precisa ser feito com cuidado, evitando estresse e períodos prolongados de deslocamento.

Existe uma tabela padrão de ração para frango de corte?

Não há uma única tabela de ração que atenda a todas as situações na criação de frangos de corte. Isso ocorre porque a formulação das dietas precisa contemplar diferentes demandas nutricionais, considerando variáveis como a linhagem das aves, a fase de criação, o peso dos animais, além da qualidade e do custo dos ingredientes disponíveis.

Embora algumas tabelas possam servir como referência para situações gerais, ajustes são frequentemente necessários, especialmente quando há a inclusão de ingredientes alternativos na dieta. Nesses casos, é indispensável refazer os cálculos nutricionais para garantir que as exigências das aves sejam plenamente atendidas.

Tabela de referência

Como exemplo prático, pode-se utilizar uma tabela desenvolvida pela Embrapa Suínos e Aves. Essas formulações foram elaboradas com base em milho e farelo de soja, ingredientes amplamente utilizados na nutrição de frangos de corte, e têm como objetivo suprir as exigências nutricionais ao longo das diferentes fases de produção:

Tabela de ração para frango de corte fornecida pela Embrapa.

Vale reforçar que a nutrição animal é um dos pilares para que qualquer espécie consiga expressar seu máximo potencial produtivo. No caso dos frangos de corte, esse aspecto é ainda mais relevante, pois impacta diretamente no desempenho, na eficiência alimentar e na qualidade final do produto.

Foscálcio: suplementação para frango de corte

Sabendo da importância da nutrição no desenvolvimento das aves, a Mosaic desenvolveu a linha Foscálcio, voltada à nutrição animal e formulada para garantir o fornecimento equilibrado e de alta disponibilidade de minerais essenciais.

Os minerais cálcio (Ca) e fósforo (P), presentes na linha, são fundamentais para as aves e devem ser fornecidos diariamente em quantidades adequadas. Esses nutrientes desempenham papel direto na formação e qualidade da estrutura óssea, no metabolismo e no desempenho produtivo.

A linha Foscálcio se destaca por oferecer fontes de minerais com alta digestibilidade e biodisponibilidade, contribuindo para uma melhor absorção pelos animais, maior eficiência nutricional e, consequentemente, melhores resultados zootécnicos.

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