Principais plantas forrageiras do Brasil e como adubá-las

6 min de leitura

As pastagens tropicais constituem a espinha dorsal da pecuária brasileira, representando a maior fonte de forragem para bovinos de corte e de leite. A produtividade e qualidade das forrageiras dependem da correta escolha das espécies e da implementação de programas de adubação baseados em análises de solo, correção química e fertilização equilibrada.

Este artigo apresenta um panorama das principais forrageiras tropicais no Brasil, comparativos de produtividade e exigência nutricional, e recomendações práticas de adubação.

Qual é a importância das plantas forrageiras para a pecuária brasileira?

As forrageiras tropicais utilizadas no Brasil são adaptadas a uma ampla gama de condições climáticas e de solo, variando em produtividade, valor nutritivo e exigência de fertilidade. A pecuária nacional, com mais de 200 milhões de hectares em pastagens, depende diretamente da capacidade produtiva desses ecossistemas vegetais (Silva et al. 2020). 

Sua importância pode ser resumida em alguns pontos-chave:

  1. Redução dos custos de produção: pastagens bem manejadas diminuem a necessidade de suplementação concentrada;
  2. Sustentabilidade ambiental: sistemas bem implantados reduzem degradação do solo, erosão e emissão de gases por unidade produzida;
  3. Bem-estar animal: pastos de boa qualidade proporcionam melhor ingestão, ganho de peso e desempenho reprodutivo;
  4. Produtividade por área: forrageiras adaptadas e bem nutridas aumentam a lotação animal e a produção de carne ou leite por hectare.

Ou seja, pastagens bem nutridas e manejadas reduzem custos com suplementação, aumentam produtividade animal por hectare e prolongam a vida útil do ecossistema forrageiro. Por outro lado, sem manejo adequado, as pastagens entram em processo de degradação, um dos maiores desafios da pecuária nacional.

Principais forrageiras do Brasil: características e produtividade

O Brasil possui grande diversidade de forrageiras tropicais, principalmente gramíneas, com algumas leguminosas ganhando espaço. A seguir, listamos algumas.

Brachiaria (Urochloa spp.)

A braquiária (ou brachiaria) corresponde ao grupo mais utilizado no país, devido à rusticidade e adaptação a solos de média a baixa fertilidade. Dentre as principais cultivares em destaque e uso nos sistemas de pastejo brasileiros podemos destacar:

  • Brachiaria brizantha (Marandu, Piatã, Paiaguás);
  • Brachiaria decumbens;
  • Brachiaria humidicola.

As principais vantagens do uso de Brachiaria são:

  • Boa resistência à seca;
  • Tolerância a solos ácidos;
  • Bom valor nutritivo quando bem manejadas.

Panicum maximum (Megathyrsus maximus)

Muito utilizada em sistemas mais intensivos. Suas principais vantagens são:

  • Alta produção de matéria seca por hectare;
  • Excelente resposta à adubação;
  • Alto valor nutritivo.

Porém, exemplares deste gênero são exigentes em fertilidade de solo e necessitam um manejo do pasto e do pastejo mais criterioso. Algumas das variedades mais comuns são:

Andropogon gayanus

Gênero forrageiro indicado para solos mais pobres e regiões de clima mais seco. Apesar de sua alta rusticidade, apresentam menor valor nutritivo quando comparado a Panicum e Brachiaria. Mas, ainda assim, são uma boa opção para sistemas mais extensivos de produção.

Capim-elefante (Pennisetum purpureum)

O capim-elefante é muito usado para corte, silagem e pastejo rotacionado intensivo. Apresenta altíssima produção; porém, são variedades muito exigentes em solos férteis e adubação de reposição. Tiveram grande expansão de uso na produção leiteira em sistemas de pastejo alternado e na produção de forragem conservada.

Leguminosas forrageiras

Apesar de menos utilizadas nos sistemas de produção animal a pasto, apresentam grande potencial, além de promover a fixação biológica de nitrogênio no solo, melhorar significativamente a qualidade da dieta dos animais e aumentar a fertilidade do solo ao longo do tempo (quando bem manejadas).

Nesse gênero, podemos destacar como as mais utilizadas em território nacional:

  • Estilosantes;
  • Crotalária;
  • Leucena;
  • Amendoim-forrageiro;
  • Trevo (na região Sul do país).

A tabela abaixo resume aspectos agronômicos relevantes de algumas dessas cultivares:

Tabela 1 – Comparativo de características agronômicas de forrageiras tropicais comuns no Brasil

EspécieTipoProdutividade (t MS/ha/ano)*Adaptabilidade do soloExigência nutricionalNota técnica
Urochloa brizantha (Marandu, Piatã, Paiaguás)Gramínea8–12Média a baixaMédiaMaior uso nacional
Panicum maximum (Mombaça, Tanzânia)Gramínea10–18MédiaAltaAlta produção e qualidade
Pennisetum purpureum (Capim-elefante)Gramínea15–25Média a altaAltaExcelente para silagem
Cynodon spp. (Tifton, Coast-cross)Gramínea8–14MédiaAltaIdeal para intensivo
Arachis pintoiLeguminosa6–10MédiaBaixaFixação de N e qualidade

* Valores indicativos de produtividade de matéria seca em sistemas bem manejados; variam com clima, fertilidade e manejo;

* Urochloa é a mais amplamente utilizada no Brasil, com bom equilíbrio entre rusticidade e produtividade;

* Panicum e Pennisetum respondem intensamente à adubação nitrogenada e irrigação, com altas produções de forragem. 

Exigência nutricional e resposta à adubação

A adubação de plantas forrageiras é um dos principais fatores para garantir alta produtividade, qualidade nutricional e longevidade das pastagens. Como base da alimentação de ruminantes em sistemas extensivos e intensivos, as forrageiras precisam de um manejo nutricional adequado para expressar seu potencial produtivo e sustentar bons índices zootécnicos.

Grande parte das pastagens apresenta algum grau de degradação, geralmente associado à baixa fertilidade do solo e à ausência de reposição de nutrientes. Por esse motivo, o uso de adubação correta contribui para:

  • Aumento da produção de matéria seca;
  • Melhoria do valor nutritivo da forragem;
  • Maior capacidade de suporte animal;
  • Recuperação e manutenção da pastagem;
  • Redução de plantas invasoras, pela maior competitividade da forrageira.

Entre os principais nutrientes, o nitrogênio (N) é o que mais limita a produção de matéria seca, seguido por fósforo (P) e potássio (K). Estudos com Brachiaria brizantha sob adubação nitrogenada mostram que doses de N entre 160–180 kg/ha por corte promovem as maiores produções de matéria seca (Dupas et al., 2010).

Diagnóstico da fertilidade do solo

Antes de qualquer recomendação de adubação, é essencial realizar a análise de solo. Esse diagnóstico permite identificar deficiências nutricionais, corrigir a acidez e ajustar as doses de fertilizantes de acordo com a exigência da espécie forrageira e o nível de produção desejado.

A correção da acidez do solo, normalmente feita com a calagem, é o primeiro passo, pois melhora a disponibilidade de nutrientes e o desenvolvimento do sistema radicular das plantas. A calagem aumenta o pH e reduz a toxicidade de alumínio, enquanto a gessagem pode melhorar a estrutura da subsuperfície, favorecendo o desenvolvimento radicular.

Adubação de implantação

A adubação no plantio deve priorizar:

  • Fósforo (P), para estabelecimento e desenvolvimento inicial das raízes;
  • Potássio (K), para vigor e tolerância a estresses abióticos;
  • Nitrogênio (N), que pode ser aplicado moderadamente para estimular o crescimento inicial em espécies de alta produção.

Nitrogênio (N)

É o nutriente mais importante para gramíneas forrageiras, pois está diretamente relacionado ao crescimento vegetativo, à produção de folhas e ao teor de proteína bruta. Sua aplicação deve ser parcelada, especialmente em sistemas intensivos, para reduzir perdas e aumentar a eficiência.

Fósforo (P)

Fundamental para o estabelecimento das pastagens, o fósforo estimula o crescimento radicular e o perfilhamento. Em solos tropicais, geralmente é o nutriente mais limitante, sendo indispensável na formação de novas áreas.

Potássio (K)

Atua no equilíbrio hídrico, na resistência ao pisoteio e na tolerância a estresses como seca e frio. É especialmente importante em áreas com alta produção de forragem e cortes frequentes.

Enxofre (S) e micronutrientes

O enxofre participa da síntese de proteínas, enquanto micronutrientes como zinco, cobre e boro — embora exigidos em menores quantidades — são essenciais para o metabolismo das plantas.

Adubação de manutenção

A adubação de manutenção é uma prática essencial para a sustentabilidade e a produtividade das pastagens ao longo do tempo. Diferentemente da adubação de formação, que visa ao estabelecimento inicial da forrageira, a adubação de manutenção tem como objetivo repor os nutrientes removidos do solo pelo pastejo, corte ou processos naturais, mantendo a fertilidade e evitando a degradação da área.

A adubação de manutenção consiste na aplicação periódica de fertilizantes para suprir as necessidades nutricionais das plantas forrageiras durante sua fase produtiva. Seus principais objetivos são:

  • Manter a produtividade de matéria seca da pastagem;
  • Preservar o valor nutritivo da forragem;
  • Garantir maior persistência da pastagem;
  • Aumentar a eficiência do uso da terra e dos insumos;
  • Evitar o empobrecimento progressivo do solo.

A recomendação correta da adubação de manutenção deve ser baseada na análise de solo e, quando possível, na análise da planta. Esses diagnósticos permitem identificar os nutrientes em níveis adequados e aqueles que precisam ser repostos, evitando tanto deficiências quanto aplicações excessivas, que elevam custos e podem causar impactos ambientais.

Além disso, o histórico da área, o sistema de manejo (pastejo contínuo ou rotacionado) e o nível de intensificação do sistema devem ser considerados na definição das doses.

Observações de manejo

O manejo de adubação deve ser realizado preferencialmente no início e durante o período de maior crescimento das forrageiras, geralmente associado às chuvas. O parcelamento das doses — sobretudo de nitrogênio e potássio — aumenta a eficiência do fertilizante e reduz perdas.

Em sistemas de pastejo rotacionado, a aplicação após a saída dos animais favorece a recuperação rápida da pastagem.

Indicadores de desempenho e qualidade da forragem

Além da produtividade, a qualidade da forragem é avaliada por indicadores como:

  1. Proteína Bruta (PB) — correlata à oferta de nitrogênio disponível;
  2. Fibra em Detergente Neutro (FDN) e Fibra em Detergente Ácido (FDA) — relacionadas à digestibilidade e ao consumo voluntário.

As respostas de produtividade e valor nutritivo das forrageiras variam conforme o regime de adubação e o ambiente de crescimento, sendo a adubação nitrogenada um dos principais fatores que alteram esses indicadores.

Considerações finais

A escolha da forrageira e a definição de um programa de adubação devem ser baseadas em:

  1. Análise de solo detalhada;
  2. Objetivos produtivos (corte, pastejo intensivo, silagem);
  3. Condições climáticas locais;
  4. Capacidade de suporte do sistema (taxa de lotação).

A integração de práticas de correção do solo, adubação equilibrada e manejo do pastejo representa a principal estratégia para elevar a produtividade das forrageiras tropicais no Brasil e melhorar a eficiência produtiva da pecuária.

Pensando nesses desafios, a Mosaic possui uma linha exclusiva para a nutrição das plantas forrageiras e também de cultivares para produção de silagem, feno e pré-secado. A linha MPasto é composta por produtos formulados com tecnologias que atendem de maneira completa e eficiente às necessidades das plantas forrageiras, além da alta qualidade física dos grânulos, que melhora a eficiência no momento da adubação.

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